Autonomia e digitalização na mineração: mais de 75% das mineradoras investem até US$ 10 milhões, eficiência lidera prioridades, aponta NTT DATA e MIT

Setor acelera autonomia e digitalização na mineração, com 52% investindo entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões, 24% acima de US$ 10 milhões, e dados, IA e robótica guiando ganhos de eficiência

Um novo relatório da NTT DATA em parceria com a MIT Technology Review en español mostra que a autonomia e digitalização na mineração entrou em fase de consolidação, movida principalmente pela busca por eficiência operacional e pela necessidade de sustentar ganhos contínuos em produtividade. O estudo, intitulado Autonomia no Negócio da Mineração, revela um setor que amplia orçamentos e redesenha processos, mas que ao mesmo tempo enfrenta desafios culturais e de capacitação para transformar iniciativas em valor recorrente.

Segundo o material, nos últimos três anos 52% das organizações do segmento destinaram orçamentos anuais entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões para iniciativas de autonomia e digitalização na mineração, enquanto 24% investiram mais de US$ 10 milhões. O recado é claro: a agenda digital já não é piloto, tornou-se pilar estratégico para sustentar competitividade, segurança e resiliência operacional nas plantas, na logística e na manutenção.

Eficiência à frente do corte de custos, segurança e competitividade

O estudo destaca que a principal motivação para acelerar a autonomia e digitalização na mineração é a melhoria da eficiência. Entre as motivações, 31,08% dos entrevistados apontam a “melhoria da eficiência” como o fator estratégico predominante para avançar rumo a modelos mais autônomos ou digitalizados, superando “redução de custos” (27,03%) e “aumento da segurança” (25,68%). Em operações críticas, como planta, logística e manutenção, a autonomia funciona como alavanca para elevar a produtividade, reduzir paradas e mitigar riscos, beneficiando toda a cadeia de valor.

Outras forças, como pressão competitiva (6,76%), inovação tecnológica (5,41%), cumprimento regulatório (2,7%) e cultura organizacional (1,35%), aparecem com menor peso relativo. Em termos de resultados, os ganhos mais citados incluem aumento da produtividade (22,12%), redução dos custos operacionais (20,19%), melhoria da segurança (17,31%), maior precisão nas operações (14,42%), melhor utilização de recursos (14,42%) e redução do tempo de inatividade (11,54%). Esses indicadores reforçam que a captura de valor é ampla e multifatorial, indo além do simples corte de despesas.

Dados, IA e robótica como base, com liderança mais distribuída

Na frente tecnológica, os sistemas de gestão de dados e análises despontam como a peça central para viabilizar a autonomia e digitalização na mineração, citados por 21,70% dos respondentes. A prioridade nessa camada revela a importância de disponibilidade, integração e análise de dados para otimizar processos, antecipar riscos e dar suporte à tomada de decisões autônomas. Em seguida aparecem inteligência artificial e machine learning (17,92%) e robótica e automação de equipamentos (16,98%), além de infraestrutura de comunicações e Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), que sustentam a conectividade e a coleta de dados em tempo real.

O estudo também aponta uma mudança no modelo de governança. 56% das empresas relatam uma abordagem mista de liderança, combinando centralização, distribuição, colaboração e inovação, enquanto 24% mantêm um modelo centralizado na alta gestão e 20% delegam a responsabilidade a departamentos específicos. A mensagem é que a transição para a autonomia e digitalização na mineração depende menos de uma liderança única e mais de uma orquestração transversal, envolvendo times multifuncionais e decisões data-driven.

Desafios culturais, capacitação e o próximo salto de valor

A jornada não é trivial. A pesquisa identifica como principais barreiras a resistência à mudança cultural (27,54%) e os altos custos de implementação (23,19%), seguidos pela escassez de profissionais especializados (14,49%). Além disso, 72% dos entrevistados reconhecem que os projetos alcançam apenas parcialmente os objetivos de valor definidos, sinalizando a necessidade de governança, métricas e patrocínio executivo mais claros para escalar iniciativas.

Como práticas-chave para avançar, ganham destaque as parcerias com fornecedores de tecnologia (10,38%) e a capacitação intensiva de pessoal (7,55%). Em um contexto em que a indústria enfrenta perda contínua de atratividade entre novos profissionais, investir em formação técnica, trilhas de carreira e cultura de dados torna-se essencial para atrair e reter talentos. Mais da metade das empresas, 52%, acredita estar no mesmo nível que seus pares, 32% relatam estar em desvantagem e apenas 16% afirmam ocupar uma posição de liderança, o que revela um amplo espaço para diferenciação competitiva.

O tom de transformação fica explícito na visão executiva destacada pelo relatório. “O verdadeiro avanço na autonomia da mineração pode depender menos da tecnologia e mais da capacidade do setor de repensar e construir um modelo operacional completamente diferente”, destacou Freddy Teixeira Peluso, head de Recursos Naturais da NTT DATA Brasil. “Um dos principais desafios da próxima década será implantar uma mentalidade digital que permita não apenas adotar novas tecnologias, mas também redesenhar, desde a concepção, a forma como a mineração é planejada, operada e gera valor.”

No balanço, a mensagem central é inequívoca: a autonomia e digitalização na mineração evolui de forma consistente, com ganhos comprovados em eficiência e segurança, mas exigirá, cada vez mais, liderança distribuída, integração de dados e reconversão de talentos para capturar todo o potencial. Ao converter iniciativas em um novo modelo operacional digital, o setor poderá acelerar a criação de valor, reduzir riscos e estabelecer um novo padrão de competitividade para a próxima década.

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