Construtechs ganham tração com modernização da construção civil, mas mercado segue cauteloso; relatório aponta categorias líderes, distribuição por estados e foco B2B
As construtechs seguem avançando no Brasil em meio a um cenário de investimentos mais seletivo. De acordo com levantamento da Liga Ventures, as startups de construção civil captaram R$ 16 milhões em 2025 até agora, distribuídos em três transações, enquanto em 2024 o volume foi de R$ 68 milhões em dez transações. O estudo mapeia 267 construtechs ativas que estão transformando processos, eficiência e experiência do setor com tecnologia.
Os dados, coletados pela plataforma Startup Scanner, oferecem uma radiografia atualizada do ecossistema de construtechs no país, destacando tendências como inteligência artificial, construção modular, gestão e controle de obra e soluções B2B que miram ganhos de produtividade e previsibilidade de custos na cadeia da construção civil.
Investimentos em 2025 x 2024: ritmo ainda cauteloso
O recuo de volume em relação ao ano passado indica um mercado que, embora atento à inovação, permanece criterioso na alocação de capital. Em 2025, as construtechs já somam R$ 16 milhões em três transações. Em 2024, o setor registrou R$ 68 milhões em dez transações. A leitura da Liga Ventures é de cautela com continuidade de modernização.
Nesse contexto, a avaliação do ecossistema reforça a janela de oportunidade para soluções com impacto mensurável. Como resume Daniel Grossi, cofundador da Liga Ventures: “O momento das construtechs mostra um setor ainda cauteloso em investimentos e adoção de IA, mas longe de estar parado. A construção civil vive um ciclo de modernização inevitável, marcado por industrialização, digitalização e novas tecnologias de produtividade. O ritmo mais lento de inovação no mercado cria justamente um terreno fértil para quem quiser liderar. Há desafios grandes, mas as oportunidades são proporcionais. As startups que endereçarem dores reais e que mexam no ponteiro, como eficiência de obra, previsibilidade de custos e redução de desperdícios, têm a chance de ocupar esses espaços.”, analisa Daniel Grossi, cofundador da Liga Ventures.
O avanço de construtechs que resolvem “dores” concretas, como eficiência no canteiro e controle de custos, é apontado como vetor de crescimento mesmo em ciclos mais conservadores. A combinação de industrialização, digitalização e tecnologias de produtividade puxa a curva de maturidade do setor.
Quem são e onde estão as construtechs: 267 ativas e 24 categorias
O estudo identificou 267 construtechs ativas no Brasil com diferentes propostas tecnológicas para a construção civil. Cerca de 20% delas foram criadas entre 2020 e novembro de 2025, o que revela renovação contínua do pipeline empreendedor.
As categorias com mais presença entre as construtechs ativas fundadas de 2020 a 2025 são cotação e compra de insumos (16%), construção modular (12%), gestão e controle de obra (8%), realidade virtual e interatividade (8%) e conteúdo e educação (6%).
No recorte completo, o levantamento divide o ecossistema em 24 categorias, com destaque para gestão e controle de obra (12,7%), cotação e compra de insumos (7,5%), construção modular (6%), realidade virtual e interatividade (5,6%), projeto (5,2%), redução e destinação de resíduos (5,2%), conteúdo e educação (4,9%), drones (4,5%), smart building (4,1%), reforma (4,1%), orçamento de obra (4,1%), inspeção e monitoramento (4,1%), desenvolvimento imobiliário (3,4%), gestão de colaboradores (3,4%), inteligência imobiliária (3,4%), novos produtos e insumos (3,4%), captação de recursos (2,6%), planejamento de obra (2,6%), pós-obra (2,6%), gestão administrativa (2,6%), contratação de mão de obra (2,2%), segurança no trabalho (2,2%), gestão de estoques (1,9%) e aluguel e aquisição de maquinário/equipamentos (1,5%).
A distribuição geográfica das construtechs também é desigual, com forte concentração em São Paulo. O ranking por estados tem São Paulo (42%) em primeiro lugar, seguido por Minas Gerais (12%), Santa Catarina (12%), Paraná (10%), Rio de Janeiro (5%), Rio Grande do Sul (4%), Distrito Federal (3%), Pernambuco (2%), Goiás (1%) e Bahia (1%).
Quanto à maturidade, o recorte mostra 37% estáveis, 30% emergentes, 22% nascentes e 11% disruptoras, evidenciando um ecossistema que mistura soluções consolidadas com novas teses em busca de escala.
Tecnologias, IA e público-alvo: onde estão as oportunidades
O uso de inteligência artificial ganha espaço entre as construtechs. O estudo identifica 29 startups que aplicam IA em frentes como automação de projetos arquitetônicos e engenharia, gestão inteligente de obras e canteiros, monitoramento, visão computacional e gêmeos digitais, previsão, orçamentação e controle automático de custos, atendimento, vendas e pós-obra, além de segurança e manutenção preditiva de ativos e equipamentos.
Em tecnologias habilitadoras, destacam-se Marketplace (18%), Dashboard (16%), Data Analytics (16%), API (14%) e Cloud Computing (12%), compondo a base digital que suporta escalabilidade e integração de dados na construção civil.
O modelo de negócios permanece majoritariamente empresarial: 81% das construtechs têm foco no mercado B2B, o que reforça a busca por eficiência de obra, previsibilidade de custos e redução de desperdícios ao longo da cadeia. Segundo a Liga Ventures, o estudo utilizou dados do Startup Scanner, plataforma que monitora startups do Brasil e da América Latina para apoiar empresas, pesquisadores e empreendedores na identificação de oportunidades sinérgicas.
No horizonte de 2025, a mensagem é clara: mesmo com seleção mais rigorosa de capital, as construtechs que resolvem problemas reais e medem impacto têm terreno fértil para crescer, impulsionadas por industrialização, digitalização e a adoção progressiva de IA em processos críticos da construção civil no Brasil.