Black Friday 2025: ZenoX aponta 899 domínios maliciosos ativos e avanço das fraudes com IA no Brasil

Na Black Friday 2025, startup do Grupo Dfense detecta alta de 14% nas ameaças, aponta profissionalização do crime digital e alerta para golpes de ‘bug de preço’ e ‘taxa das brusinhas’

A temporada de ofertas da Black Friday 2025 chega com um alerta importante de cibersegurança no Brasil. A ZenoX, startup do Grupo Dfense especializada em segurança digital, analisou 130 mil domínios recém-registrados entre 4 de outubro e 4 de novembro, usando motores próprios de inteligência artificial. Do total, 18 mil domínios estão diretamente ligados à Black Friday 2025 e a grandes varejistas nacionais, e 899 domínios maliciosos seguem ativos. O cenário evidencia o risco de uma infraestrutura dormindo, redes de sites falsos prontas para serem ativadas nos dias de maior tráfego e volume de vendas.

O estudo da ZenoX também registra uma alta de 14% nas ameaças digitais em comparação ao mesmo período de 2024. Embora a expectativa fosse de um salto ainda maior diante da popularização de ferramentas de IA, a leitura dos especialistas é que o crime digital está mais consolidado e profissionalizado, com operações silenciosas e páginas fraudulentas mais difíceis de detectar.

Infraestrutura dormindo e salto na profissionalização do crime digital

Segundo a ZenoX, mesmo com a rápida reação de equipes de segurança para remover páginas maliciosas, um núcleo de 899 sites nocivos permanece ativo, pronto para capturar vítimas no pico de buscas e compras da Black Friday 2025. A estratégia é sofisticada, com quadrilhas investindo em layout, conteúdo e engenharia de detecção inversa para driblar varreduras automatizadas.

Gabriel Paiva, Founder & CEO da Dfense e ZenoX, resume essa virada de chave com uma constatação direta: “Os fraudadores estão criando menos sites, mas com qualidade dramaticamente superior. Sites que antes duravam horas online agora permanecem ativos por dias ou semanas. A taxa de detecção está caindo porque os sites são profissionais demais para disparar alertas automáticos”. O executivo reforça que o problema não está apenas no volume, mas na maturidade das operações criminosas, o que pressiona consumidores e varejistas a redobrarem a atenção.

Entre os varejistas mais clonados neste ano, a liderança segue com a Magazine Luiza/Magalu, seguida por Shopee, Casas Bahia, Americanas e Carrefour. O movimento da Shopee chama a atenção, como explica Paiva, “Em comparação a Black Friday de 2024, vimos a Shopee saltar do quinto lugar para a segunda posição, sendo que a liderança ainda permanece com a Magalu”. A lista evidencia o foco dos golpistas em marcas de alto alcance, que concentram tráfego e conversões na Black Friday 2025.

Quatro táticas que devem marcar os golpes em 2025

Ao aplicar modelos de IA sobre o conteúdo dos 899 sites fraudulentos, a ZenoX mapeou quatro padrões principais. A primeira é o Golpe do “Bug de Preço”, presente em 9% dos domínios maliciosos. A narrativa afirma existir um erro de sistema em ofertas pontuais, o que estimula a sensação de exclusividade e urgência, levando a decisões impulsivas.

A segunda frente é a chamada “taxa das brusinhas”, identificada em 16% dos sites. Os criminosos exploram a discussão sobre taxação de importados, prometendo desconto ou isenção de taxas em compras, sobretudo relacionadas a plataformas como a Shopee. A promessa de benefício excepcional durante a Black Friday 2025 funciona como gatilho psicológico poderoso.

O terceiro vetor é uma técnica anti-detecção baseada em acesso exclusivo por celular. Nas palavras do estudo, “Aproximadamente 40% dos sites suspeitos só podem ser acessados de dispositivos móveis”. Com isso, golpistas burlam varreduras feitas por desktops e miram usuários em situação de pressa, com telas menores e menor atenção à URL completa.

Por fim, a presença de IA generativa aparece em massa. A análise automática do código indica que pelo menos 38% dos sites foram possivelmente criados com ferramentas como ChatGPT, Claude ou similares. A ZenoX descreve como evidência técnica que, “Analisando o código-fonte das páginas de forma automatizada, conseguimos identificar que pelo menos 38% dos sites suspeitos contém código que foi possivelmente gerado por inteligência artificial”. Isso reforça a produção de páginas com aparência profissional, linguagem convincente e velocidade de execução elevada às vésperas da Black Friday 2025.

Engenharia social, dados de 2024 e como se proteger

A ZenoX define a abordagem dos criminosos como um “hacking psicológico”, em que a engenharia social é o principal motor dos golpes, mais do que falhas tecnológicas. Os dados de 2024 ajudam a dimensionar o risco: 50% das vítimas caíram por impulso diante de ofertas consideradas imperdíveis, 42% foram vítimas da pressa ou distração no momento da compra, e 37% deixaram de conferir detalhes visuais e de segurança, como URL e logotipo.

As emoções são o alvo. Termos como “Fim de estoque”, “Últimas unidades” e contagens regressivas elevam a urgência, enquanto o contexto econômico pressiona escolhas rápidas. Como resume Paiva, “Durante a Black Friday, o ataque não é só tecnológico, é emocional. Os criminosos sabem que as pessoas estão mais vulneráveis por fatores econômicos e psicológicos. A engenharia social é a linha de frente dos golpes”.

Para reduzir riscos na Black Friday 2025, a ZenoX recomenda adotar rotinas simples, porém decisivas. Desconfie de links recebidos por e-mail, redes sociais ou WhatsApp, confirme o remetente e procure por trocas sutis de letras e números que imitam marcas. Verifique a URL completa, prefira acessar a loja digitando o endereço no navegador ou usando o app oficial, e evite fazer login após clicar em encurtadores ou promoções enviadas por terceiros.

Também vale redobrar atenção a domínios não convencionais, como .info e .biz, e a erros de digitação. Desconfie de ofertas “boas demais para ser verdade” e de exigências de ação imediata. Não abra anexos inesperados, nunca clique em arquivos de remetentes desconhecidos e, em caso de dúvida, valide a promoção diretamente nos canais oficiais do varejista. Na soma, uma navegação consciente é o maior antídoto para evitar fraudes com IA e domínios maliciosos durante a Black Friday 2025.

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