Proposta sobre câmeras em escolas alcança redes pública e privada, veta equipamentos dentro dos sanitários, restringe acesso às gravações e prevê monitores e ações educativas
O Projeto de Lei 3328/26, em análise na Câmara dos Deputados, determina a instalação de câmeras em escolas nos acessos e nas áreas externas de banheiros e vestiários, tanto na rede pública quanto na privada, com a meta de reforçar a segurança escolar e a proteção de estudantes, professores e funcionários. A iniciativa estabelece diretrizes para a captação e o uso das imagens, além de salvaguardas para a privacidade, buscando equilibrar prevenção de incidentes e respeito aos direitos individuais.
Segundo o texto, as câmeras não poderão ser posicionadas no interior de banheiros, vestiários e demais dependências sanitárias, o que reforça a proibição de qualquer monitoramento que comprometa a intimidade. O acesso às imagens será restrito à direção da escola e às autoridades competentes, com utilização limitada a investigações policiais, processos judiciais e apurações disciplinares. Os prazos de adequação, as especificações técnicas dos equipamentos e as penalidades administrativas deverão ser definidos por legislação de estados, municípios e do Distrito Federal, o que permite calibrar as regras às realidades locais.
Privacidade garantida e limites do monitoramento
O projeto delimita de forma explícita onde o monitoramento por câmeras em escolas é permitido e onde é vedado. Ao focar os acessos a banheiros e vestiários, a proposta mira pontos de circulação que podem ser mais vulneráveis, sem invadir os espaços íntimos. A redação ressalta que é proibida a instalação de equipamentos no interior desses ambientes, assegurando que a captação de imagens não exponha a rotina privada de estudantes e demais usuários.
Para reduzir riscos de abuso e vazamento indevido, a proposta restringe quem pode consultar e quando pode usar as imagens, preservando a proteção de dados e a finalidade pública do material produzido. O uso é sinalizado apenas para situações que envolvam apuração de possíveis crimes, demandas judiciais ou medidas disciplinares internas, em conformidade com o interesse da segurança escolar e com o respeito à privacidade.
Medidas complementares de segurança e convivência
Além das câmeras em escolas, o texto prevê a presença de monitores escolares nas proximidades dos banheiros, sempre que possível do mesmo sexo das pessoas que utilizam essas dependências, o que favorece a abordagem adequada e a sensação de acolhimento. A proposta também incentiva ações educativas sobre o uso responsável desses espaços, promove o contato direto com órgãos de segurança pública e estimula o policiamento comunitário, compondo uma estratégia integrada de prevenção e resposta.
O autor da proposta, deputado Aluisio Mendes, do Republicanos-MA, sustenta que a iniciativa busca diminuir a vulnerabilidade em áreas com menor circulação de adultos e supervisão contínua. Em sua avaliação, esses pontos podem se tornar focos de violência e outras violações. Ele afirma: “Infelizmente, as proximidades de dependências sanitárias se convertem em pontos críticos para a ocorrência de agressões físicas, intimidações sistemáticas (bullying), tráfico ilícito de drogas e ofensas contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes”. O argumento reforça a necessidade de medidas proporcionais, que inibam ocorrências e garantam respostas rápidas sem abrir mão da proteção da intimidade.
Tramitação na Câmara e próximos passos
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, de Educação, de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado tanto na Câmara quanto no Senado, o que mantém o debate aberto e permite ajustes técnicos e jurídicos nas etapas de deliberação.
Enquanto o tema avança no Legislativo, redes de ensino, gestores e famílias acompanham a discussão sobre câmeras em escolas, que mobiliza preocupações com a segurança e a privacidade. Especialistas apontam que políticas eficazes nesta área costumam combinar infraestrutura, protocolos claros de acesso a dados, formação de equipes e iniciativas de convivência escolar, o que dialoga com o conjunto de medidas proposto no PL 3328/26.
Ao deixar para estados, municípios e Distrito Federal a definição de detalhes como prazos de implementação, especificações técnicas e sanções, o projeto oferece um arcabouço geral e permite que as redes adaptem a política às suas particularidades. Se aprovado, o modelo pode consolidar um padrão nacional de monitoramento responsável nos acessos a banheiros e vestiários, com salvaguardas robustas à privacidade, dando transparência a procedimentos e responsabilidades no uso de imagens.
No centro do debate está a busca por um equilíbrio entre prevenção e direitos fundamentais. Ao mesmo tempo em que câmeras em escolas podem inibir práticas como agressões, intimidações e condutas ilícitas, sua adoção requer controles rígidos, registros seguros e critérios claros de guarda e acesso, de modo a atender à finalidade pública sem exposição indevida. Esse será um dos pontos observados pelas comissões e pela sociedade durante a tramitação, que ainda pode incorporar aprimoramentos para garantir efetividade e proteção integral da comunidade escolar.


