No ESG Fórum, Cazoolo da Braskem detalha estratégia baseada em economia circular, com foco em valor de negócio, design para reciclagem e colaboração da cadeia
O Cazoolo da Braskem, laboratório de embalagens sustentáveis da companhia, apresentou no ESG Fórum uma visão prática de como a economia circular pode ser implementada com escala quando está, desde a origem, alinhada ao resultado comercial. Segundo Fábio Sant’Ana, especialista em Desenvolvimento de Mercado e Novos Negócios, a unidade atua como um laboratório de embalagens orientado à circularidade, mas totalmente integrado à estratégia de vendas e portfólio da petroquímica.
Ao aproximar o laboratório das metas do negócio, o Cazoolo da Braskem acelera a entrada de soluções com alta reciclabilidade, como monomateriais, modelos refiláveis e redução de matéria-prima, em clientes de diferentes setores. Esse encaixe com o mercado, destacou Fábio, garante foco em entrega de valor, prioriza viabilidade industrial e dá resiliência mesmo em cenários econômicos desafiadores.
Negócio em primeiro plano, com sustentabilidade integrada
Ao explicar a governança do laboratório, Fábio foi direto: o Cazoolo da Braskem não é uma área de sustentabilidade nem apenas um hub de inovação, e sim uma estrutura orientada ao negócio. A escolha reduz ruídos, aumenta a velocidade de decisão e facilita o alinhamento com metas comerciais e de clientes.
Nas palavras do executivo, “Conectar negócio, inovação e sustentabilidade dá uma potência muito grande. Não é uma área que vive de ser questionada: ela entrega valor.” Ele reforçou que a unidade está desenhada para integrar frentes internas estratégicas, como o polietileno verde, o programa Ser+ e os projetos de conteúdo reciclado, criando um pipeline coerente de soluções circulares para marcas e transformadores.
A abordagem parte da visão de cadeia: “Sustentabilidade é saber equilibrar todos os stakeholders. Circularidade exige olhar a cadeia inteira, não só o consumidor.” Isso significa avaliar do design ao pós-consumo, conectando especificações técnicas, operadores logísticos e cooperativas de reciclagem.
Design para reciclagem, testes em campo e soluções refiláveis
O Cazoolo da Braskem atua diretamente na chamada “dor de design” da circularidade, lidando com formulações, mistura de materiais, uso de corantes e barreiras que comprometem a reciclagem. De acordo com Fábio, quando o desempenho na fábrica não se traduz em circularidade no mundo real, é preciso voltar à prancheta. “Se o material sai perfeito da fábrica, mas é transformado de modo que inviabiliza a reciclagem, temos que redesenhar. Esse é o nosso papel.”
Um caso citado é o desenvolvimento de um desodorante roll-on refilável. A validação do conceito incluiu testes cegos diretamente em cooperativas, abordagem que reduz vieses e checa se a embalagem é corretamente identificada e separada no fluxo de reciclagem. Esse método ajuda a garantir que a inovação não se perca na etapa de triagem, eliminando gargalos de recuperação de material.
Ao privilegiar design para reciclagem e refilabilidade, o laboratório favorece ganhos de circularidade com impacto direto em custos, logística reversa e percepção de marca. Projetos monomaterial, por exemplo, simplificam o processo para recicladores, enquanto a redução de pigmentos e aditivos melhora a qualidade do material recuperado, criando um ciclo mais eficiente e de maior valor agregado.
Integração com polietileno verde e prêmios que validam a abordagem
O Cazoolo da Braskem também funciona como hub de integração tecnológica, conectando soluções como o polietileno verde, matérias-primas com conteúdo reciclado e iniciativas sociais, a exemplo do programa Ser+. Essa combinação permite desenhar rotas sob medida para cada cliente, conciliando exigências de performance, custo, regulação e metas ESG em um mesmo projeto.
A estratégia já foi reconhecida publicamente. Em apenas três anos, o laboratório conquistou 18 premiações, incluindo Fast Company, Brasil Design Awards e Fiesp. Para Fábio, o resultado materializa a maturidade da empresa ao integrar inovação e circularidade com visão sistêmica. “A economia circular é complexa e ninguém faz sozinho. O Cazoolo existe para juntar as peças”, afirmou.
Com comunicação clara ao mercado, validação com recicladores e foco em entregas mensuráveis, o Cazoolo da Braskem se consolida como um case nacional de integração entre negócio e sustentabilidade. A proposta, baseada em colaboração, engenharia de materiais e ajustes de design, aponta um caminho pragmático para escalar embalagens recicláveis no Brasil, alinhando performance industrial e impacto positivo.
No horizonte, a continuidade dessa abordagem deve fortalecer a relação com clientes que buscam metas ESG robustas e resultados concretos. Ao manter a circularidade como eixo de desenvolvimento, o Cazoolo da Braskem tende a acelerar soluções com maior reciclabilidade, modelos refiláveis e integração com conteúdo reciclado, alavancando o potencial da economia circular em toda a cadeia.