Cibercrime com IA em 2025: como a inteligência artificial escala ataques, impulsiona deepfakes e impõe às empresas a era da verificação de confiança

No Cybersecurity Forum 2025, o CISO da Azion detalha como o cibercrime com IA consolida dados vazados, gera códigos maliciosos e cria falsificações, e aponta defesa baseada em detecção, identidade e educação

Gravado durante o Cybersecurity Forum 2025, um episódio especial do podcast O Tal do Hacking reuniu Mauricio Westendorff Pegoraro, CISO da Azion, para discutir o avanço do cibercrime com IA e seus impactos imediatos na segurança digital. Ao lado dos apresentadores Bruno Lauterjung e Felipe Thomé, o executivo descreveu uma transformação em curso: a inteligência artificial não apenas acelera o volume de ataques, como aumenta a precisão das investidas e a capacidade de escala dos criminosos.

Segundo Pegoraro, a IA já está sendo usada para consolidar grandes volumes de dados vazados, automatizar a geração de códigos maliciosos e produzir falsificações de identidade cada vez mais convincentes, de vozes sintéticas a rostos e vídeos deepfake. Ele resume a mudança de patamar com uma frase direta: “Hoje, qualquer pessoa pode descrever um ataque em linguagem natural e obter um código pronto em segundos”. A avaliação é clara, o cibercrime com IA se democratizou, ampliou a superfície de ataque e elevou o grau de sofisticação das ameaças.

IA nas mãos dos atacantes: do código sob demanda aos deepfakes persuasivos

O uso de modelos generativos vem reescrevendo o manual do crime digital. Ao unificar e cruzar bases de credenciais vazadas, históricos de e-mail e dados pessoais, a IA permite que atacantes criem golpes altamente personalizados, reduzindo fricção e aumentando taxas de sucesso. Em paralelo, ferramentas que transformam instruções em linguagem natural em scripts prontos tornam o ciclo de ataque mais rápido e menos dependente de especialistas.

O avanço dos deepfakes adiciona um componente emocional e visual à fraude, com vozes e vídeos capazes de replicar executivos, parceiros e familiares. Para Pegoraro, a combinação de engenharia social com IA generativa cria um ambiente perfeito para phishing, business email compromise e tentativas de fraude financeira com aparência legítima. Nesse cenário, o cibercrime com IA se torna mais inclusivo e perigoso, já que baixa a barreira de entrada.

Os criminosos também ganham eficiência na construção e customização de malware, com variações constantes que dificultam assinaturas tradicionais. Isso reforça a necessidade de defesa baseada em comportamento e análise em tempo real, já que a detecção por assinaturas perde eficácia diante de mutações rápidas geradas por IA.

Defesa corporativa: detecção baseada em IA, identidade digital e educação contínua

Na visão do CISO, a resposta passa por três frentes principais. A primeira é investir em detecção baseada em IA, capaz de identificar anomalias e correlacionar sinais dispersos em grandes volumes de tráfego, do endpoint à nuvem. Soluções alimentadas por machine learning e telemetria mais rica ajudam a reconhecer padrões de ataque que variam rapidamente, mitigando os efeitos de malware polimórfico e campanhas de phishing mais sofisticadas.

A segunda frente é a identidade digital. Protocolos mais rigorosos, com ênfase em verificação de identidade, políticas de acesso mínimo e controles que confirmem quem é quem em cada etapa do fluxo, tornam-se centrais. A adoção de princípios de zero trust, somada a autenticação forte e verificações de contexto, reduz a janela de oportunidade para invasões que exploram credenciais e session hijacking.

A terceira é a educação cibernética contínua. Para Pegoraro, o esforço deve alcançar o ambiente corporativo e a esfera pessoal, já que a linha entre vida e trabalho se mistura. Programas que simulam ataques, treinam para identificar deepfakes e disseminam boas práticas cotidianas ajudam a conter o cibercrime com IA, que explora justamente falhas humanas amplificadas por automação.

Confiança como nova camada de segurança: o desafio da década

O executivo resume a próxima etapa dessa disputa em uma palavra: confiança. Em um mundo onde vozes e rostos podem ser falsificados, o valor de mecanismos que comprovem identidade e integridade das comunicações cresce exponencialmente. Como ele define, “A próxima fronteira da segurança será a confiança. Garantir quem é quem na rede será o maior desafio da década”. A mensagem mira tanto líderes de tecnologia quanto áreas de negócio, indicando que segurança torna-se fator competitivo.

No recorte do Cybersecurity Forum 2025, a análise de Pegoraro reforça que o cibercrime com IA está moldando uma nova arquitetura de ameaças. A defesa exige ferramentas inteligentes, processos de governança mais rígidos e cultura de prevenção que acompanhe a velocidade dos modelos generativos. Em outras palavras, a corrida não é apenas por tecnologia, é por confiança verificável em cada interação digital.

O episódio integra a cobertura especial do O Tal do Hacking no Cybersecurity Forum, que discutiu os impactos da inteligência artificial na defesa digital e nos caminhos para reduzir a assimetria entre atacantes e defensores. O recado final é pragmático: à medida que a ofensiva automatizada evolui, detecção baseada em IA, identidade e educação formam o tripé essencial para enfrentar a nova face do cibercrime.

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