Congresso aprova crédito de R$ 34,3 bilhões para benefícios, com ajuste no Orçamento de 2025 e atenção à regra de ouro

Congresso aprova crédito de R$ 34,3 bilhões para pagamento de benefícios - Notícias

Parlamentares liberam crédito de R$ 34,3 bilhões para benefícios previdenciários e Bolsa Família, e avaliam aumento de cargos no MEC e reajuste das polícias do DF

O Congresso Nacional aprovou o crédito de R$ 34,3 bilhões para garantir o pagamento de benefícios previdenciários e do programa Bolsa Família no Orçamento de 2025, após votação do PLN 14/25. O montante, que já constava na lei orçamentária, estava condicionado a aval do Legislativo por causa da regra de ouro, que limita o uso de endividamento para despesas correntes. A decisão assegura fluxo de caixa para os pagamentos, ao mesmo tempo em que preserva o cumprimento das normas fiscais.

O valor inicialmente proposto pelo governo era de R$ 42,2 bilhões. Depois de solicitação do Ministério do Planejamento e Orçamento, houve redução de R$ 7,9 bilhões na dotação do Bolsa Família, levando o total ao patamar final de R$ 34,3 bilhões. Desse total, R$ 22,2 bilhões serão destinados aos benefícios previdenciários e R$ 12,1 bilhões ao Bolsa Família, viabilizando o calendário de pagamentos ao longo do ano.

O que está por trás do crédito e como ele será usado

Embora o crédito de R$ 34,3 bilhões já estivesse previsto na lei orçamentária, sua execução dependia de autorização específica porque fere a chamada regra de ouro, que, de acordo com a Constituição, proíbe que operações de crédito superem as despesas de capital. Na prática, isso significa que o governo não pode contrair dívida para bancar despesas correntes, como aposentadorias, pensões e transferências de renda, salvo se o Congresso autorizar.

A aprovação do PLN 14/25 dá segurança jurídica e orçamentária para garantir o pagamento dos benefícios a milhões de brasileiros. O arranjo aprovado traz ainda um dispositivo de controle adicional, após acordo entre base e oposição, para evitar que recursos eventualmente não utilizados neste ano sejam transportados para o próximo ciclo orçamentário.

Nesse ponto, prevaleceu uma emenda sugerida pelo senador Rogério Marinho que impede o uso de saldos em 2026. O relator e líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, confirmou a mudança ao declarar: “Nós iremos acatar o destaque da oposição relativo a esse PLN, percebendo que não terá maior impacto e consequências para este projeto”.

Ajustes de valores e impacto fiscal, entenda a regra de ouro

O redesenho do crédito, que passou de R$ 42,2 bilhões para R$ 34,3 bilhões, decorreu de uma revisão técnica do Ministério do Planejamento e Orçamento, que reduziu em R$ 7,9 bilhões a necessidade de recursos para o Bolsa Família. Com isso, a alocação final ficou dividida entre R$ 22,2 bilhões para benefícios previdenciários e R$ 12,1 bilhões para o programa de transferência de renda.

Ao concentrar o uso do crédito de R$ 34,3 bilhões nessas duas políticas, o Congresso reafirmou a prioridade com despesas sociais sem perder de vista as balizas legais, em especial a regra de ouro. O crédito é classificado como suplementar, portanto não cria nova despesa, apenas libera a execução de dotações já existentes, um ponto considerado essencial pela equipe econômica para manter previsibilidade nos pagamentos.

Integrantes da base ressaltaram que a autorização legislativa é imprescindível para viabilizar o cronograma de desembolsos. A oposição, por sua vez, emplacou a trava que impede o carregamento de eventuais sobras para 2026, vista como uma salvaguarda adicional de disciplina fiscal.

Cargos no MEC, reajustes para as polícias do DF e funções no STJ

Na mesma sessão, os parlamentares aprovaram o PLN 31/25, que ajusta o quadro de cargos do Ministério da Educação. O pedido eleva o total de vagas para técnicos administrativos e professores de ensino superior de 21.204 para 29.804. Segundo o governo, essa autorização não implicará em mais despesas este ano, já que não há previsão de provimento dessas vagas ainda em 2025.

O relator, senador Izalci Lucas, reuniu ainda no mesmo texto outros dois projetos correlatos. O PLN 30/25 altera o Orçamento de 2025 para elevar os recursos destinados a reajustes salariais e ao provimento de quase 2 mil cargos das forças de segurança do Distrito Federal. Os reajustes vão variar entre 19,60% e 28,40%, aplicados em duas parcelas, em 2025 e 2026, e o pacote também beneficia polícias dos ex-territórios. Já o PLN 29/25 promove ajustes nas despesas de pessoal do Superior Tribunal de Justiça, com a criação de 330 funções comissionadas.

Houve críticas da oposição à ampliação de gastos obrigatórios com pessoal. O deputado Luiz Lima registrou posição contrária, afirmando: “Sugerimos posicionamento contrário, pois se trata da criação e provimento de mais cargos públicos, aumentando o gasto obrigatório no momento em que o país necessita da redução de gastos, dada a atual situação fiscal do país com carga tributária e dívida pública elevadas”.

Com a aprovação do crédito de R$ 34,3 bilhões e das mudanças no quadro de pessoal, os projetos seguem para sanção presidencial. A expectativa é de promulgação célere, dada a relevância social dos benefícios previdenciários e do Bolsa Família, além do calendário de reajustes pactuado para as forças de segurança do DF. Segundo a Câmara dos Deputados, as medidas foram construídas em diálogo com o Senado, com informações que também tiveram o apoio da Agência Senado, reforçando o alinhamento entre as Casas no esforço de dar previsibilidade ao Orçamento de 2025.

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