Malware se passa por bancos e e-commerce para roubar dados de pagamento: NGate clona cartões via NFC e usa páginas que imitam a Google Play no Brasil

No Brasil, NGate finge ser apps de bancos e e-commerce, e, como malware se passa por bancos e e-commerce para roubar dados de pagamento, captura informações de cartões em pagamentos por aproximação

Nova campanha usa sites falsos da Google Play para enganar usuários de Android

Pesquisadores da ESET identificaram a circulação de um aplicativo malicioso para Android que imita, sem consentimento, a identidade de grandes instituições brasileiras. Batizada de NGate, a ameaça engana usuários ao se passar por apps oficiais de bancos como Santander, Banco do Brasil, Itaú e Bradesco, além de uma plataforma de e-commerce, o Mercado Livre. O golpe começa em páginas que copiam a aparência da Google Play, onde os criminosos replicam ícones, cores, nomes e descrições, levando a vítima a acreditar que está fazendo o download do app legítimo.

Ao instalar o arquivo hospedado nesses sites clonados, o usuário, na verdade, adiciona o malware ao celular. A ESET explica que o perigo é agravado pela semelhança visual quase perfeita com os aplicativos reais, o que dificulta a percepção do engano. Trata-se de um caso em que o malware se passa por bancos e e-commerce para roubar dados de pagamento, reforçando a necessidade de atenção redobrada ao endereço da página e ao desenvolvedor que assina o app.

Segundo a ESET, a campanha utiliza domínios que simulam a identidade de empresas conhecidas, com exemplos como 5a341dc1-98f9-4264-859a-e8bc6d236024-00-1vfeomyys26m9.janeway.replit[.]dev, googleplay-santander.pages[.]dev, googleplay-bb.pages[.]dev, googleplay-itau.pages[.]dev, googleplay-mercadolivre.pages[.]dev e googleplay-bradesco.pages[.]dev. O aplicativo malicioso foi identificado tecnicamente como Android/Spy.NGate.BD.

Como o NGate captura dados e por que pagamentos por aproximação viraram alvo

Após a instalação, o app fraudulento passa a interceptar dados usados em pagamentos por aproximação (NFC) e a repassá-los para os criminosos. Com essas informações em mãos, os golpistas conseguem efetuar compras ou até realizar transações em terminais de venda sem precisar do cartão físico. O foco em pagamentos por aproximação chama atenção por explorar um método em rápida expansão no mercado brasileiro, ponto destacado pelos pesquisadores.

De acordo com Daniel Barbosa, pesquisador de segurança da ESET Brasil, a sofisticação do golpe está na imitação fiel de elementos visuais e textuais dos aplicativos legítimos. Em suas palavras, “Esse golpe é especialmente perigoso porque imita de forma quase perfeita os aplicativos verdadeiros. Utilizam a imagem de instituições importantes e respeitadas para que o usuário não desconfie. Os criminosos copiam ícones, cores e até descrições, o que torna difícil perceber o engano. O principal sinal de alerta é o endereço do site, que não corresponde ao oficial da loja de aplicativos”, afirma o especialista.

O avanço desse tipo de fraude reforça um cenário observado pela ESET em publicações anteriores, que apontam o crescimento dos ataques que exploram NFC e o ecossistema Android. Em um país com base de usuários ampla e grande adesão a apps bancários e carteiras digitais, a combinação entre sites clonados e aplicativos falsos torna-se especialmente efetiva para capturar dados financeiros de forma silenciosa.

Sinais de alerta, domínios fraudulentos e medidas de proteção

Para reconhecer e evitar fraudes em que o malware se passa por bancos e e-commerce para roubar dados de pagamento, o primeiro passo é observar com atenção o endereço do site antes de qualquer download. Mesmo quando a página tem aparência idêntica à Google Play, o domínio pode revelar a fraude, como nos exemplos destacados pela ESET. Conferir o nome do desenvolvedor, o histórico de avaliações e as permissões solicitadas também ajuda a detectar inconsistências comuns em apps falsos.

Outra recomendação é manter o sistema e os aplicativos sempre atualizados, ativar recursos de proteção do Android, como mecanismos de verificação de apps, e evitar instalar arquivos baixados fora da loja oficial. Caso desconfie de um aplicativo, é prudente desinstalá-lo imediatamente, revisar as permissões concedidas, alterar senhas e monitorar transações recentes junto ao banco. Usuários que utilizam carteiras digitais e NFC devem redobrar a vigilância, sobretudo após instalar qualquer app novo.

Barbosa reforça que os criminosos vêm sofisticando abordagens e ampliando o nível de personalização dos golpes para atingir perfis específicos de vítimas. Segundo o pesquisador, “Fraudes financeiras envolvendo smartphones estão cada vez mais direcionadas e personalizadas. Essas ferramentas facilitam a vida das pessoas, mas também acabam sendo exploradas por quem busca novas formas de fraude. Nosso papel é garantir que usuários e instituições reconheçam os sinais de alerta e adotem uma postura proativa de proteção”.

Em suma, a detecção do NGate pela ESET expõe uma campanha que mistura engenharia social, sites clonados da Google Play e manipulação de recursos do Android para capturar dados bancários. Em um cenário onde malware se passa por bancos e e-commerce para roubar dados de pagamento, a atenção ao domínio da página, a instalação exclusiva pela loja oficial, e a verificação cuidadosa de desenvolvedores e permissões seguem como barreiras essenciais para impedir que golpes de alta fidelidade visual comprometam sua segurança financeira.

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