No TI Inside Innovation Forum, Carlo Till, cofundador da AVanguarda, afirmou que mais de 70% dos projetos de IA não se concretizam e defendeu mudanças estruturais, liderança ativa e governança clara
O debate sobre adoção de projetos de IA ganhou um novo capítulo durante o TI Inside Innovation Forum, em entrevista ao TI Inside Talk com Carlo Till, cofundador da AVanguarda. Com experiência ao lado de CIOs e CTOs de grandes companhias, o executivo foi direto ao ponto ao revelar um dado que expõe a distância entre intenção e prática: “mais de 70% das iniciativas sequer saem do papel.”
Para Till, o gargalo não é primariamente técnico. Segundo ele, a resistência interna e a falta de preparo cultural atrapalham a maturidade dos projetos de IA e, principalmente, de IA generativa. O executivo destacou que o medo, a desinformação e a ansiedade frente a mudanças estruturais contribuem para paralisar iniciativas, mesmo quando a tecnologia e o orçamento estão disponíveis.
Resistência humana é a barreira central à adoção de IA
Na entrevista, Carlo Till reforçou que a transformação digital continua esbarrando em fatores humanos, não apenas em limitações de ferramentas. Ele resumiu essa visão em uma frase que ecoa nos corredores das empresas: “A maior barreira é gente. É falta de conhecimento básico e resistência em reaprender”. Em sua avaliação, muitas organizações ainda subestimam o impacto da cultura e das competências digitais na execução de projetos de IA.
Essa resistência se manifesta em diferentes camadas, dos times operacionais à liderança. De um lado, existe receio de substituição de tarefas e perda de controle. De outro, falta um vocabulário comum para avaliar riscos, valor e governança de IA nas empresas. Sem alinhamento, as iniciativas travam em pilotos intermináveis, o que reforça a estatística de que “mais de 70% das iniciativas sequer saem do papel.”
Adoção gradual pode ampliar insegurança e ansiedade
Um ponto que chamou a atenção foi a crítica à implementação incremental de projetos de IA. Para Till, estender transições por longos períodos mantém a organização em permanente incerteza. “As transformações precisam ser estruturais e feitas de uma vez só, para que as pessoas consigam se adaptar e enxergar o novo cenário com clareza”, afirmou.
Ao defender mudanças estruturais, o executivo sugere concentrar esforços em objetivos claros, governança definida e comunicação transparente desde o início. A combinação de metas de negócio, curadoria de dados, segurança e capacitação reduz ruídos e acelera a curva de aprendizado, criando condições para que projetos de IA saiam do piloto e cheguem à operação com escala e confiabilidade.
Governança, comunidade e liderança para escalar IA generativa
A experiência de Carlo Till à frente da AVanguarda, comunidade que conecta líderes de tecnologia de grandes companhias, mostrou que a troca entre pares ajuda CIOs e CTOs a navegar desafios de governança de IA. Ao compartilhar práticas, organizações aceleram a definição de políticas de uso, modelos de risco, critérios de qualidade e padrões de auditoria, pontos decisivos para sustentar projetos de IA em ambientes críticos.
Nesse contexto, o papel da liderança é inegociável. Till resumiu o norte para executivos que desejam tirar iniciativas do papel: “Não existe fórmula mágica nem ferramenta única. O papel das lideranças é mapear oportunidades, incentivar o uso responsável e ser embaixador da transformação digital dentro da empresa”. Isso implica promover capacitação contínua, patrocinar casos de uso com ROI claro, dar visibilidade aos ganhos e endereçar, com transparência, preocupações sobre impacto no trabalho.
Ao final, a mensagem é pragmática: a tecnologia para projetos de IA está madura o suficiente para avançar além de testes isolados, mas o progresso depende de decisões firmes, desenho de processos e compromisso com a mudança. Onde há direção estratégica, governança e educação, a estatística de iniciativas que não se materializam tende a cair. O que separa intenção e impacto, como destacou Till no TI Inside Innovation Forum, continua sendo menos o código e mais a cultura que o cerca. Para assistir à conversa na íntegra, acesse o episódio do TI Inside Talk.