PEC da Segurança Pública vai ao Plenário hoje na Câmara, sem redução da maioridade penal, diz Hugo Motta

PEC da Segurança Pública vai ao Plenário hoje, sem redução da maioridade penal - Notícias

Na PEC da Segurança Pública, acordo entre governo e relator Mendonça Filho retira referendo de 2028 e prioriza pauta estrutural com criação de um sistema único da segurança pública

A PEC da Segurança Pública chega ao Plenário da Câmara dos Deputados para votação nesta terça, em movimento liderado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que decidiu avocar a deliberação após um longo período de discussões internas. O avanço ocorre com um ajuste decisivo no texto: fica de fora a proposta de redução da maioridade penal e também a ideia de realizar um referendo em 2028 sobre o tema.

Segundo a Presidência da Câmara, a ida da PEC da Segurança Pública ao Plenário busca dar resposta a um debate considerado amadurecido, com negociações envolvendo governo, relatoria e lideranças partidárias. A expectativa é que a análise em Plenário concentre esforços em medidas de caráter estrutural para o setor, evitando dispersões em pontos sensíveis que dividem a base.

Plenário deve deliberar após meses de debate

Hugo Motta indicou que a proposta, alvo de “discussão e de diálogo por muito tempo”, alcançou o estágio adequado para votação em Plenário. A decisão de avocar a matéria foi anunciada em entrevista, na qual Motta apareceu ao lado do relator, deputado Mendonça Filho, e do deputado Aluísio Mendes, sinalizando alinhamento para priorizar o conteúdo central da PEC.

De acordo com as informações oficiais, a remessa da PEC da Segurança Pública ao Plenário atende à demanda de lideranças que defendem uma deliberação célere sobre diretrizes nacionais para o setor. A ideia é organizar parâmetros comuns, orientar políticas integradas e consolidar instrumentos que apoiem estados e municípios, dentro de uma agenda de segurança pública mais ampla.

Para Motta, a pauta conquistou espaço na agenda legislativa e deve avançar sem sobrecarga de temas que possam atrasar a tramitação. A Câmara enfatiza que a iniciativa se concentra agora em pontos estruturantes, em sintonia com a expectativa de dar previsibilidade e foco ao debate.

Ponto sensível: maioridade penal fora do texto, referendo adiado

O acordo costurado entre o governo e o relator Mendonça Filho retirou do texto a redução da maioridade penal e a previsão de um referendo em 2028. A definição busca assegurar que a deliberação ocorra sobre os eixos considerados prioritários pela maioria dos atores políticos envolvidos, preservando o debate sobre a maioridade para um momento e um instrumento legislativo específicos.

Em declaração, Hugo Motta resumiu o entendimento firmado: “Será tratada numa matéria à parte, e não vamos tratar desse referendo em 2028, mas entendemos que essa é uma pauta que precisa ser discutida. Precisamos trazer uma pauta estrutural que é da segurança pública e criar um sistema único da segurança pública, além de outras ideias que estão sendo atendidas”, disse Motta.

O encaminhamento também vai ao encontro do que foi destacado pelas lideranças na Câmara: a discussão sobre maioridade penal continuará, porém com trâmite independente. Em linha com esse desenho, a avaliação é de que a PEC da Segurança Pública ganha clareza temática e tem maior chance de avançar com coesão no Plenário.

Segundo Motta, referendo sobre maioridade penal será discutido em outra ocasião. A sinalização busca reduzir ruídos no curto prazo, sem fechar portas para uma futura consulta popular ou novas proposições que tratem especificamente do assunto.

Foco em agenda estrutural e em um sistema único da segurança pública

Com a retirada dos dispositivos sobre maioridade penal e referendo, o texto volta-se ao que a Câmara chama de pauta estrutural da área. A prioridade, segundo a Presidência, é criar um sistema único da segurança pública, conceito que dialoga com a necessidade de integração de políticas, compartilhamento de informações e coordenação entre entes federativos.

Essa diretriz coloca a PEC da Segurança Pública como instrumento para fortalecer governança, planejamento e execução de ações, com foco em eficiência e resultados. O objetivo é permitir que União, estados e municípios trabalhem de maneira mais coordenada, reduzindo sobreposições e ampliando a capacidade de resposta às demandas de segurança da população.

No campo político, a estratégia de concentrar o texto em diretrizes abrangentes tende a facilitar a construção de maiorias para a votação. Ao deixar temas que geram maior dissenso, como a redução da maioridade penal, para deliberação em outra proposta, o Congresso abre espaço para que a PEC da Segurança Pública enfrente menos obstáculos regimentais e de mérito no Plenário.

A expectativa é que, com foco em bases institucionais, a proposta tenha potencial de produzir efeitos duradouros sobre o sistema de segurança, ao mesmo tempo em que mantém o debate sobre responsabilização de adolescentes vivo em outra esfera. Para quem acompanha a tramitação, esse arranjo pode acelerar a entrega de uma moldura legal mais clara para políticas de segurança e gestão integrada.

O anúncio foi publicado nos canais oficiais da Câmara às 14h52 de 04/03/2026. A avaliação predominante é de que, ao organizar o escopo e priorizar o que é comum, a PEC da Segurança Pública ganha tração para ir a voto, mantendo a possibilidade de aprofundar, em paralelo, discussões complexas como a da maioridade penal. Com o acordo em torno do texto, a deliberação no Plenário deve refletir essa busca por consenso e efetividade na política de segurança pública.

Rolar para cima