Provedores de Internet no Brasil se estabilizam em 11.853 empresas, com salto em VoIP, IPTV, IPv6 e qualidade, revela TIC Provedores 2024

Levantamento do Cetic.br | NIC.br indica que os provedores de Internet no Brasil investem em diferenciação, infraestrutura e atendimento ao campo

O novo retrato do mercado de provedores de Internet no Brasil mostra um setor mais maduro, com foco em qualidade e ampliação de portfólio. A TIC Provedores 2024, lançada pelo Cetic.br | NIC.br sob coordenação do CGI.br, estimou a existência de 11.853 provedores em atividade no país, número praticamente estável frente a 2022, quando foram contabilizados 11.630. Embora o ritmo de abertura de novas empresas tenha arrefecido, a pesquisa aponta para uma maior diversificação de serviços e adoção de tecnologias essenciais à infraestrutura da Internet.

Entre as ofertas que mais avançaram, destacam-se a telefonia sobre IP (VoIP), agora presente em 35% das empresas, ante 23% em 2022, a transmissão de TV por protocolo IP (IPTV), que subiu de 20% para 32%, e os serviços de segurança digital, que passaram de 24% para 32%. O movimento reforça que os provedores de Internet no Brasil vêm apostando na diferenciação e na experiência do usuário, com pacotes mais completos e maior valor agregado.

Mercado mais qualificado, com foco em valor e experiência

A leitura do Cetic.br é que o ciclo de expansão numérica deu lugar à competição por qualidade, uma tendência que beneficia consumidores e empresas. Como resume Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, “A pesquisa identificou que o cenário de expansão acelerada do número de empresas deu lugar a um aumento na competição por qualidade e na agregação de valor. Se antes o foco estava principalmente em ampliar a base de clientes, agora atuação dos provedores se orienta pela diferenciação e pela capacidade de oferecer melhores serviços aos usuários”. A análise reforça o passo seguinte do setor, que deixa de mirar apenas volume e passa a disputar menor latência, estabilidade e novas soluções.

Na mesma linha, Leonardo Melo Lins, coordenador da TIC Provedores, destaca a mudança de patamar e a necessidade de infraestrutura mais robusta. Segundo ele, “O mercado chegou a um patamar em que apenas uma oferta de conexão deixou de ser suficiente. As empresas agora buscam prover uma melhor experiência ao usuário, o que impulsiona a diversificação dos serviços e investimentos em infraestruturas mais robustas, como a adoção do IPv6 e a participação no IX.br, projeto do NIC.br que tem ajudado a aprimorar velocidade, eficiência, resiliência da Internet e a reduzir custos para provedores e usuários.”

Esse reposicionamento deixa claro que os provedores de Internet no Brasil buscam fidelização por qualidade, não apenas preço, ampliando pacotes com VoIP, IPTV e segurança gerenciada, ao mesmo tempo em que avançam em governança técnica e integração com ecossistemas de conteúdo.

Infraestrutura: mais IPv6 e adesão ao IX.br para reduzir latência

Os investimentos em infraestrutura aparecem com nitidez na TIC Provedores 2024. A oferta de IPv6 aos clientes cresceu e já está disponível em 72% dos provedores, superando os 64% de 2022 e os 40% registrados em 2020. A adoção de IPv6 é vista como um passo essencial para escalabilidade, segurança e desempenho, além de facilitar o acesso a serviços e aplicações modernos.

Outro pilar é a conexão aos Pontos de Troca de Tráfego. A participação no IX.br, maior conjunto de Pontos de Troca de Tráfego Internet (PTT) do mundo, foi informada por 34% das empresas. Entre os principais motivos para a adesão estão a “melhora da qualidade dos serviços de Internet (34%)” e o “acesso a redes de distribuição de conteúdo (28%)”, fatores decisivos para reduzir latência, aumentar a eficiência e baratear custos de trânsito IP.

Para os provedores de Internet no Brasil, a combinação de IPv6 e IX.br se traduz em rotas mais curtas até grandes plataformas, páginas que carregam mais rápido e maior resiliência em picos de tráfego, além de ganhos operacionais, especialmente relevantes em mercados competitivos e em cidades médias e pequenas.

Áreas rurais em foco e atenção redobrada à segurança digital

Pela primeira vez, o estudo investigou a presença em áreas rurais, um fronteira de crescimento para os provedores de Internet no Brasil. Dois terços, 66%, já atendem clientes no campo, com predominância na região Sul, 80%, e maior incidência entre médias e grandes empresas, ambas com 76%. No agronegócio, 4.278 provedores, 36%, prestam serviços a empresas do setor, com destaque para o Centro-Oeste, 77%, e o Sul, 73%. Para Barbosa, “Este recorte do estudo sinaliza a importância da conectividade para o agronegócio e outras atividades econômicas fora dos centros urbanos, o que também pode representar uma oportunidade para as empresas de menor porte”.

Em segurança digital e proteção de dados, a pesquisa apurou que 42% dos provedores possuíam uma área, ou pessoa dedicada, ao tema. Em 2022, a proporção era de 40%, o que indica estabilidade. O recurso é mais presente nas grandes empresas, 85%. O relatório registra que, “O recurso é mais presente nas grandes empresas (85%) do que entre as micro (37%%) e pequenas empresas (42%), indicando um desafio de conformidade para organizações de menor porte.”

Além disso, houve aumento na percepção sobre ataques de negação de serviço (DDoS), mencionados por 30% das empresas em 2024, frente a 23% em 2022. O avanço foi especialmente notado no Nordeste, onde as declarações de ataques sofridos passaram de 14% para 25%. O coordenador do estudo reforça o alerta: “Os dados evidenciam que, à medida em que o mercado amadurece, a sofisticação das ameaças aumenta. É fundamental que, especialmente as micro e pequenas empresas, invistam em estruturas de segurança, de proteção de dados e na capacitação de suas equipes para proteger suas redes e clientes”.

Realizada desde 2011, a TIC Provedores mapeia o setor para subsidiar estratégias de expansão e melhoria da conectividade no país. Nesta 6ª edição, os dados foram coletados entre setembro de 2024 e abril de 2025 com 1.719 empresas. O conjunto de evidências reforça que os provedores de Internet no Brasil chegaram a um patamar de estabilidade em número de empresas, ao mesmo tempo em que se movem com rapidez para ampliar serviços, fortalecer a infraestrutura e conquistar novos mercados, da cidade ao campo.

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