Redistribuição de alimentos no Brasil: CEO da Connecting Food defende doação mais vantajosa que descarte, com rastreabilidade e economia circular no ESG Fórum

No ESG Fórum, Priscila Socoloski destaca como a redistribuição de alimentos, apoiada por tecnologia e pela Lei 15.224, já converteu quase 37 milhões de refeições e por que políticas públicas devem tornar a doação mais atrativa do que jogar fora

A discussão sobre redistribuição de alimentos ganhou força no painel Economia Circular e Rastreabilidade: o futuro dos negócios sustentáveis, durante o ESG Fórum, com a participação de Priscila Socoloski, CEO da Connecting Food. A executiva levou ao debate a dimensão social e ambiental da economia circular aplicada ao alimento, defendendo que o Brasil avance em políticas que priorizem a doação com rastreabilidade e segurança jurídica.

Pioneira em redistribuição de alimentos com apoio de tecnologia, a Connecting Food conecta varejo, indústrias e food services a organizações sociais, oferecendo visibilidade ponta a ponta do que é doado e para quem. Segundo a empresa, a operação já transformou quase 37 milhões de refeições, um indicador que mostra como a economia circular pode reduzir desperdício e ampliar o impacto social de forma mensurável.

Economia circular aplicada ao alimento, com tecnologia e rastreabilidade, ganha escala

Ao detalhar o modelo de atuação, Socoloski reforçou que a tecnologia é o elo que viabiliza a redistribuição de alimentos com segurança, qualidade e velocidade. Em sua fala, destacou a importância de impedir que itens próprios para consumo sejam descartados, enquanto organizações sociais enfrentam falta de oferta.

“A gente trabalha para garantir que alimentos perfeitos para consumo não sejam desperdiçados. Tecnologia permite ver o que está sendo doado, para quem e em base diária.” Com isso, a rastreabilidade se torna não só requisito de conformidade, mas uma vantagem competitiva para quem doa, já que traz dados, transparência e governança ao processo.

Na prática, a plataforma integra estoques e fluxos operacionais de doadores a entidades receptoras, garantindo que o excedente chegue a quem precisa com qualidade e dentro do prazo. Ao mesmo tempo, gera métricas que permitem às empresas comprovar o impacto social e ambiental de suas doações, reforçando compromissos de ESG e de economia circular.

Lei 15.224 e os desafios regulatórios, de notas fiscais a impostos

Um dos pontos centrais do debate foi o marco regulatório. Socoloski apontou que o Brasil atualizou a legislação com a Lei 15.224, que cria a Política Nacional de Redução de Perda e Desperdício de Alimentos. A novidade oferece maior previsibilidade para quem quer doar, ao mesmo tempo em que organiza responsabilidades na cadeia.

Em suas palavras, “A nova lei traz segurança jurídica ao doador. Uma vez que a organização social coleta, a responsabilidade passa para quem recebe.” Esse ponto é sensível para o food service e para grandes operações do varejo e da indústria, que historicamente demonstram receio diante de riscos operacionais e reputacionais.

Ainda assim, a CEO reconheceu que há barreiras práticas que, muitas vezes, acabam favorecendo o descarte. A emissão de notas fiscais e a incidência de impostos sobre produtos destinados à doação influenciam a decisão empresarial. Para ela, avançar em diretrizes que simplifiquem a burocracia e criem incentivos claros é determinante para acelerar a redistribuição de alimentos em escala nacional.

Impacto mensurável na ponta, adesão em crescimento e a prioridade de tornar a doação mais vantajosa

Com atuação abrangente, a Connecting Food já atende mais de 700 organizações sociais em 325 cidades, oferecendo visibilidade operacional, treinamento de equipes e métricas de impacto social e ambiental aos doadores. Esse conjunto de serviços fortalece a cultura de medição, requisito para quem busca governança em ESG e transparência em relatórios.

Nesse sentido, Socoloski foi direta ao reforçar que o discurso precisa vir acompanhado de dados e evidências. “Não é só dizer que faz a doação. É preciso rastrear, comprovar e mostrar o impacto na ponta.” Para o setor, isso significa gerar indicadores consistentes, como o total de refeições viabilizadas, o volume de alimentos recuperados e os benefícios ambientais decorrentes da redução de descarte.

Na avaliação da executiva, políticas públicas e aprimoramentos regulatórios têm papel decisivo para ampliar a adesão empresarial. “A legislação pode destravar benefícios e aumentar a adesão. Doar precisa ser mais vantajoso do que descartar.” Para viabilizar essa inversão estrutural, ela defende uma combinação de incentivos, simplificação tributária e padronização de processos com rastreabilidade e auditoria.

A proposta se alinha a uma agenda mais ampla de economia circular, em que a redistribuição de alimentos reduz a pressão sobre a cadeia produtiva, evita desperdício e fortalece a segurança alimentar. Com tecnologia, governança e legislação mais clara, o setor tende a ganhar velocidade, transformando excedentes em refeições e gerando valor social e ambiental comprovável.

Ao fim, a mensagem é pragmática: quando a doação se torna simples, segura e economicamente atrativa, toda a cadeia ganha. A combinação de rastreabilidade, segurança jurídica e incentivos pode consolidar a redistribuição de alimentos como prática padrão no Brasil, elevando o padrão de sustentabilidade do setor de alimentos e acelerando resultados de impacto em escala.

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