No ESG Fórum, executiva defendeu responsabilidade socioambiental no setor digital como parte do core do negócio, com foco em eficiência de software, nuvem e redução de desperdício computacional
A pauta da responsabilidade socioambiental no setor digital deixou de ser periférica e passou a orientar decisões estratégicas nas empresas de tecnologia. No painel ‘Inovação e novos negócios sustentáveis’, do ESG Fórum, Rosi Teixeira, diretora de tecnologia da ZUP, mediou um debate que reforçou a centralidade da sustentabilidade no desenho, no desenvolvimento e na operação de produtos digitais.
Para a executiva, não há mais espaço para iniciativas descoladas do negócio. Em suas palavras, “ou fazemos negócios sustentáveis, ou não teremos mundo para continuar existindo enquanto espécie”. A mensagem é direta, e conecta a responsabilidade socioambiental no setor digital a práticas concretas de engenharia de software, gestão de infraestrutura em nuvem e eficiência operacional.
Rosi lembrou que todas as empresas, inclusive as nativas digitais, geram impacto socioambiental e, por isso, precisam assumir a responsabilidade por suas escolhas tecnológicas. “Hoje, a gente sabe que as pressões que sofremos pelas consequências ambientais estão diretamente relacionadas com o impacto da maneira que a gente faz os produtos que fazemos, dos processos de construção de novos ativos digitais ou materiais.”
ESG deixa de ser “caixinha isolada” e entra no core do negócio digital
Segundo Rosi, a maturidade em ESG exige abandonar a visão de “caixinha isolada”, desconectada do core business. A responsabilidade socioambiental no setor digital deve permear o ciclo completo da relação com clientes, colaboradores e cadeias produtivas, influenciando desde a concepção de um serviço até sua operação contínua.
Isso implica revisar fluxos de descoberta, design e priorização, integrando métricas de impacto ambiental e social às métricas tradicionais de produto, como adoção, receita e retenção. Ao fazê-lo, times de tecnologia conseguem antecipar riscos, reduzir retrabalho e construir soluções que combinam valor de negócio com menor pegada de carbono, maior acessibilidade e eficiência energética.
Esse olhar integrado traz benefícios para além da conformidade. Ao transformar a responsabilidade socioambiental no setor digital em um princípio de design, as organizações ampliam competitividade, sustentam reputação e criam vantagem de longo prazo, sobretudo em mercados pressionados por regulação, investidores e consumidores conscientes.
Eficiência de software, nuvem e redução de desperdício computacional
Um dos pontos centrais do debate foi o consumo intensivo de infraestrutura tecnológica, em especial com o crescimento de recursos de nuvem, processamento e armazenamento. No caso da ZUP, o desafio passa por calibrar performance, custo e sustentabilidade, sem comprometer a experiência do usuário e a segurança.
Rosi defendeu que a indústria reexamine seus processos, do design de software à eficiência operacional, adotando práticas que evitem desperdícios computacionais e reprocessamentos desnecessários. Segundo ela, a má qualidade de software eleva consumo energético e amplia infraestrutura provisionada, algo que se contrapõe a metas de sustentabilidade e a uma operação enxuta.
Práticas como design eficiente, ciclos curtos de entrega e redução de retrabalho são, além de boas práticas tecnológicas, ações diretas de sustentabilidade. Ao priorizar arquitetura enxuta, observabilidade, automação responsável e uso inteligente de dados, times reduzem o footprint tecnológico e elevam a resiliência, reforçando a responsabilidade socioambiental no setor digital com ganhos tangíveis de custo e qualidade.
Como integrar responsabilidade socioambiental no setor digital ao ciclo de produto
Para acelerar essa agenda, Rosi sugere um movimento de dentro para fora, alinhando estratégia, cultura e execução. Começa pela definição de objetivos claros de responsabilidade socioambiental no setor digital, incorporados às rotinas de planejamento e às cerimônias ágeis, e segue pela criação de indicadores de impacto, auditáveis e acionáveis, que guiem decisões do backlog à produção.
Na prática, isso significa revisar requisitos não funcionais com lentes de sustentabilidade, adotar arquitetura que priorize elasticidade e escalabilidade sob demanda, além de práticas de green software, como otimização de consultas, redução de payloads, escolha criteriosa de linguagens e frameworks e melhor gestão de dados em todo o ciclo de vida.
Ao comentar o papel da tecnologia na redução de impactos, Rosi foi enfática ao associar qualidade de software a eficiência ambiental. Para ela, “ou fazemos negócios sustentáveis, ou não teremos mundo para continuar existindo enquanto espécie”. O recado vale para empresas de todos os portes, sobretudo as que operam em escala, onde pequenas ineficiências se multiplicam.
O avanço dessa agenda depende, por fim, de liderança e governança. Quando a diretoria incorpora a responsabilidade socioambiental no setor digital às metas estratégicas e ao modelo de incentivos, a mudança ganha tração. E quando os times traduzem essa visão em práticas de engenharia e operação, o resultado é um ciclo virtuoso de inovação, eficiência e impacto positivo.
Ao sair do discurso e entrar no código e nos processos, a indústria de tecnologia dá um passo essencial para que a sustentabilidade deixe de ser promessa e se torne padrão, garantindo competitividade, resilência e, sobretudo, responsabilidade com o futuro.