Retorno sobre investimento em IA puxa a maturidade digital no Brasil, com empresas investindo em média US$ 14,2 milhões por ano e 78% prevendo ROI positivo em até três anos
O retorno sobre investimento em IA já é realidade em empresas brasileiras de médio e grande porte, que, segundo o estudo global “Value of AI”, realizado pela SAP em parceria com a Oxford Economics, registram ROI médio de 16%, com projeção de chegar a 31% em dois anos. A pesquisa entrevistou 1.600 executivos em oito países, incluindo 200 líderes no Brasil, e posiciona o país entre os mais avançados na transformação da Inteligência Artificial em valor de negócio.
Embora o volume anual de investimento em IA no Brasil, hoje em US$ 14,2 milhões por empresa, seja inferior ao de mercados como China (US$ 42 milhões) e Estados Unidos (US$ 37 milhões), o retorno sobre investimento em IA no país iguala a média global, reforçando o potencial competitivo das organizações locais. Segundo o levantamento, 78% das empresas no Brasil preveem ROI positivo em até três anos, sinal de confiança e maturidade no uso da tecnologia.
Para a SAP Brasil, esse movimento marca uma virada estratégica. “+A pesquisa mostra que as empresas brasileiras estão entrando em uma nova fase de maturidade digital, em que a IA deixa de ser um experimento e passa a ser uma alavanca de crescimento+”, afirma Rui Botelho, Presidente da SAP Brasil. “+Os resultados comprovam que, quando a IA é integrada a dados de qualidade e fluxos de trabalho inteligentes, o retorno aparece de forma concreta e sustentável.+”
ROI acelera até 2027, com mais capital e foco em dados
Os resultados financeiros consolidam a IA como pilar de competitividade. O retorno médio atual de 16% deve praticamente dobrar até 2027, alcançando 31%, equivalente a US$ 5,8 milhões, de acordo com o estudo, em linha com a média global projetada. No mesmo período, o investimento em IA das empresas brasileiras tende a aumentar 36%.
Outro recorte do levantamento aponta que o investimento médio deve subir de US$ 14,2 milhões por ano para US$ 19,3 milhões até 2027, consolidando o apetite por projetos de alto impacto em automação, analytics e modelos generativos. Em paralelo, a aplicação de recursos em gestão e qualidade de dados deve crescer 23%, evidenciando a prioridade em criar bases sólidas para o uso responsável da tecnologia.
Na operação do dia a dia, 23% das tarefas corporativas no país já contam com algum suporte de IA, com expectativa de atingir 40% até 2027. O estudo revela ainda que 69% das empresas consideram a tecnologia eficaz para resolver os principais desafios de negócio, acima da média global de 59%, reforçando um uso mais prático, orientado a resultados e a um retorno sobre investimento em IA mensurável.
Agentes autônomos entram no radar e inauguram nova fronteira de valor
A próxima evolução destacada pelo relatório é a adoção de agentes autônomos, sistemas capazes de planejar, agir e colaborar com mínima intervenção humana. No Brasil, 78% dos executivos acreditam que esses agentes têm alto potencial de transformar as operações. As empresas esperam um retorno médio de 10%, cerca de US$ 3 milhões, com o uso desses sistemas nos próximos dois anos, desempenho em linha com a média global.
Apesar do otimismo, a prontidão ainda é parcial. Apenas 1% das organizações declaram estar totalmente preparadas para escalar o uso desses agentes, contra 5% no mundo, enquanto 65% dizem estar parcialmente prontas, versus 54% globalmente. A leitura é de que o potencial de ganho e de retorno sobre investimento em IA com esses sistemas é alto, mas depende de maturidade em dados, processos e governança.
Como resume Rui Botelho, “+A próxima onda de valor virá dos agentes de IA, que atuam como sistemas autônomos capazes de executar tarefas complexas e tomar decisões de forma inteligente+”, explica Rui. Para capturar esse valor, ele destaca a combinação de dados confiáveis, fluxos de trabalho integrados e governança desde o início.
Dados, governança e o desafio da shadow AI
Mesmo com resultados expressivos e 68% das empresas declarando estar preparadas para adotar soluções de IA, persistem lacunas críticas de integração. No Brasil, 70% afirmam ter baixa confiança na capacidade de integrar dados de forma responsável entre áreas internas, e 60% relatam dificuldade em fazer o mesmo com parceiros externos. Esses índices são semelhantes à média global, sinalizando que a maturidade de dados é um obstáculo comum.
Outro ponto sensível é o avanço da shadow AI, o uso de ferramentas de IA sem aprovação formal. Oito em cada dez empresas, ou 80%, estão preocupadas com o tema, e 66% admitem que esse uso ocorre com alguma frequência. Para manter o retorno sobre investimento em IA crescente, especialistas destacam políticas claras de ética, compliance e governança, com foco em segurança, qualidade de dados e transparência em modelos.
O estudo “Value of AI” foi conduzido pela Oxford Economics a pedido da SAP em maio de 2025, com 1.600 executivos de empresas médias e grandes em oito países: Austrália, Brasil, China, Alemanha, Índia, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos. No Brasil, participaram 200 líderes empresariais de diversos setores, oferecendo um recorte robusto da adoção de Inteligência Artificial e de como ela se traduz em retorno sobre investimento em IA.