Em O Tal do Hacking, Carlos Danilo Pereira Tomaz, da Finnet, detalha por que a escassez de mão de obra, o inflacionamento de senioridade e a pressa por promoções colocam a segurança corporativa em risco
A pressão por resultados rápidos, aliada à competição por talentos, vem criando um ambiente mais frágil para a segurança corporativa no Brasil. Em participação no programa O Tal do Hacking, Carlos Danilo Pereira Tomaz, Head de Security Information and Technology da Finnet, fez um diagnóstico contundente sobre o cenário atual, chamando a atenção para os impactos do turnover, da falsa senioridade e do aumento de burnout nas equipes de segurança da informação.
Segundo o executivo, a crise não se resume à quantidade de profissionais disponíveis. Em suas palavras, “a escassez de mão de obra vai além da falta de profissionais disponíveis: ela afeta diretamente a qualidade das entregas e a cultura das equipes.” A avaliação evidencia como a lacuna de competências, somada a decisões apressadas de gestão, pode enfraquecer controles, aumentar riscos e comprometer a continuidade de operações críticas.
A fala de Carlos, destacada em publicação da TI Inside, reforça a necessidade de um olhar mais maduro para gestão de pessoas e processos. Ele aponta que há um movimento de inflacionamento de senioridade, no qual carreiras avançam sem a base técnica consolidada. Nas organizações, isso se traduz em projetos frágeis, decisões equivocadas e maior exposição a incidentes.
Inflacionamento de senioridade e riscos técnicos
De acordo com o especialista, “o mercado vive um movimento de inflacionamento de senioridade, no qual muitos profissionais chegam ao cargo sem experiência prática suficiente — o que gera riscos técnicos e decisões equivocadas dentro das empresas.” O alerta ajuda a explicar por que estruturas de segurança corporativa às vezes falham mesmo com times aparentemente completos: títulos não garantem profundidade técnica, e a experiência prática continua sendo indispensável para lidar com ameaças e incidentes complexos.
Nesse contexto, a busca por métricas robustas de competência, programas de mentoring e trilhas de capacitação contínua torna-se um diferencial competitivo. Sem isso, o risco é delegar responsabilidades críticas a profissionais ainda em formação, o que pressiona operações, cria retrabalho e aumenta o tempo de resposta a incidentes, com impactos potenciais na governança e na conformidade.
Rotatividade, promoção precoce e cultura de equipe
Outro ponto sensível é a alta rotatividade. Carlos afirma que, para reter talentos, muitas empresas aceleram promoções, prática que pode desorganizar a hierarquia técnica e minar a colaboração. Ele sintetiza o problema ao dizer que “Para Carlos, um dos pontos críticos está na alta rotatividade e na pressão para promover profissionais apenas para evitar sua saída.”
Os efeitos aparecem na rotina: competições internas, desalinhamento de expectativas e o surgimento de “falsas estrelas”, figuras referenciais mais pelo cargo do que pela entrega. Essa dinâmica pressiona as decisões de segurança, eleva o risco operacional e fragiliza a cultura, justamente num momento em que a segurança corporativa exige consistência, comunicação clara e disciplina processual.
Para reequilibrar o ambiente, Carlos defende a priorização de mecanismos que sustentem a continuidade, mesmo em cenários de troca de pessoal. Como ele afirma, “Ele defende que as organizações priorizem documentação, troca de conhecimento e processos que garantam continuidade, independentemente de quem esteja no cargo.”
Caminhos práticos: documentação, job rotation e saúde mental
Entre as medidas recomendadas, estão rotinas de documentação vivas e auditáveis, ritos de transferência de conhecimento e uma governança que valorize consistência, não apenas velocidade. Além disso, o executivo destaca a importância de políticas que preservem a saúde emocional dos times, reduzindo a incidência de burnout. Nas palavras dele, “Programas de job rotation, one-on-one estruturado e suporte psicológico também são fundamentais para reduzir casos de burnout, que têm crescido no setor.”
Implementar job rotation com critérios claros, criar agendas de one-on-one com foco em desenvolvimento, instituir plantões equilibrados e acompanhar indicadores de carga de trabalho são práticas que, na visão do especialista, elevam a maturidade da segurança corporativa. Esses passos reduzem dependências de indivíduos, aumentam a resiliência dos processos e fortalecem a capacidade de resposta em situações de crise.
No fim, a mensagem é direta: times de segurança mais saudáveis, bem documentados e com níveis de senioridade coerentes entregam melhor, erram menos e sustentam a confiança da organização. O debate completo, com as reflexões de Carlos Danilo Pereira Tomaz, está disponível na cobertura da TI Inside: Entre turnover e falsa senioridade: os desafios ocultos da segurança corporativa.
Para empresas que dependem de operações digitizadas, o recado é especialmente relevante: fortalecer a segurança corporativa passa por cuidar de gente, processos e conhecimento. Sem isso, qualquer tecnologia será insuficiente diante de um cenário de ameaças cada vez mais complexo.