Projeto amplia assistência psicossocial para a saúde mental de policiais, com apoio emocional e prevenção de crises, e ainda será analisado por Finanças e Tributação e pela CCJ
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou o PL 6450/25, de autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), que autoriza o uso de verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) para financiar programas de assistência psicossocial voltados a profissionais de segurança, seus dependentes e cônjuges. A proposta tem foco direto na saúde mental de policiais e demais agentes da segurança pública, com ênfase em apoio emocional, prevenção de crises e proteção da saúde mental.
O parecer do relator, deputado Alberto Fraga (PL-DF), foi acolhido pelo colegiado. Para além do reforço orçamentário, a medida organiza um destino claro para parte do FNSP, direcionando-o a políticas contínuas de cuidado com a saúde mental de policiais que atuam sob forte pressão cotidiana. A iniciativa busca reduzir impactos psicológicos do trabalho policial e fortalecer redes de suporte aos profissionais e às suas famílias.
O que muda com o PL 6450/25 e quem será atendido
O texto aprovado altera a legislação em vigor para incluir, de forma explícita, o apoio emocional, a prevenção de crises e a proteção da saúde mental entre os destinos possíveis dos recursos do FNSP. Na prática, abre-se uma vertente estável de financiamento para programas de assistência psicossocial dedicados à saúde mental de policiais e de outros profissionais da segurança pública.
A proposta abrange policiais civis e militares, bombeiros e guardas municipais, além de outros servidores da área de segurança, e inclui também dependentes e cônjuges. Com isso, reconhece-se que os efeitos do estresse ocupacional extrapolam o indivíduo, alcançando o entorno familiar, o que demanda respostas públicas mais amplas e estruturadas.
Ao defender o parecer, o relator destacou que o cotidiano do policiamento é permeado por riscos e alta pressão, com consequências mensuráveis na saúde mental. Em suas palavras, “O projeto amplia as possibilidades de prevenção de males de origem psicossocial causados pelo exercício de atividades de segurança pública, o que afeta muitos profissionais e, por vezes, aqueles que estão ao seu lado”, afirmou Alberto Fraga. O direcionamento de recursos do FNSP tende a fomentar iniciativas integradas de cuidado, fortalecendo serviços especializados e protocolos de acolhimento.
Por que a saúde mental de policiais entrou no centro do debate
O exercício da função policial envolve altos níveis de pressão e risco, e isso, como apontou o relator, com frequência deixa sequelas psicológicas. A rotina de enfrentamento a violência, plantões extensos, exposição a situações traumáticas e a exigência de respostas rápidas elevam a carga emocional destes profissionais. Nesse contexto, políticas contínuas de assistência psicossocial e de prevenção de crises não são acessórios, mas parte essencial da estratégia de segurança pública.
Na avaliação de Fraga, a previsão de financiamento com recursos do FNSP é fundamental para enfrentar índices alarmantes de suicídio e violência entre agentes de segurança. Segundo ele, os dados disponíveis sinalizam um quadro que exige ação imediata. “É uma gravíssima situação a ser enfrentada pelo poder público.”
O relator também ressaltou a gravidade do cenário e citou estudos que apontam centenas de casos de suicídio entre policiais nos últimos anos. Ao ampliar o acesso a serviços de apoio emocional e proteção da saúde mental, a proposta busca criar uma rede de suporte efetiva, capaz de oferecer acolhimento precoce, intervenções especializadas e acompanhamento contínuo. Para muitos profissionais, isso pode significar a diferença entre suportar a pressão do trabalho com segurança ou ver o sofrimento se agravar sem assistência adequada.
Ao colocar a saúde mental de policiais no centro da agenda, o projeto também incentiva a institucionalização de boas práticas, como capacitações que ajudem equipes a identificar sinais de estresse intenso e protocolos de atendimento que integrem atenção psicológica ao percurso profissional, antes, durante e após situações críticas.
Tramitação: o que falta para virar lei
O PL 6450/25 tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação (CFT) e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Somente após essa etapa o texto poderá avançar às fases seguintes do processo legislativo.
Para se tornar lei, a proposição precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, e posteriormente sancionada pelo presidente da República. Até lá, o projeto segue em discussão na Câmara, sujeito a ajustes e debates que podem aprimorar a redação e os mecanismos de execução, com foco em tornar mais efetivo o financiamento de políticas de saúde mental de policiais em todo o país.
A aprovação na Comissão de Segurança Pública representa um passo importante para a consolidação de uma resposta sistêmica aos desafios emocionais vividos por profissionais da segurança. Ao prever recursos do FNSP para a assistência psicossocial, a medida alinha o financiamento público a uma demanda urgente e crescente do setor, com potencial de impacto direto na qualidade de vida dos agentes e na eficiência do serviço prestado à população.


