Após reunião com Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e 27 procuradores, presidente da Câmara diz que o combate ao crime organizado é prioridade suprapartidária e terá debate amplo no Plenário
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que "o momento é de união das instituições contra o crime organizado". A declaração foi feita nesta segunda-feira, 10 de novembro de 2025, por meio de suas redes sociais, logo após uma reunião no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, que discutiu segurança pública.
Segundo Motta, o encontro no STF contou com a participação do ministro Alexandre de Moraes, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos 27 procuradores de estado do País. O foco foi a coordenação de esforços para enfrentar o crime organizado com respostas mais rápidas e efetivas, reforçando a necessidade de colaboração entre os Poderes e os órgãos de investigação.
Reunião no STF reforça alinhamento institucional contra o crime organizado
Na avaliação do presidente da Câmara, o diálogo entre Judiciário, Ministério Público e Legislativo é essencial para dar capilaridade às ações de combate ao crime organizado. A presença dos 27 procuradores de estado foi destacada como um passo simbólico e prático na direção de uma estratégia nacional, integrada e permanente de segurança pública.
Ao sublinhar a necessidade de coordenação, Motta buscou sinalizar que a Câmara está alinhada com as demandas dos órgãos de persecução penal, em especial em temas que exigem instrumentos legais mais robustos para enfrentar facções, lavagem de dinheiro e crimes transnacionais. O presidente reforçou a mensagem pública de coesão institucional ao reiterar, em suas publicações, a prioridade do tema no topo da agenda política.
Em suas palavras, a articulação visa dar lastro jurídico e segurança operacional às forças de investigação, além de evitar sobreposições e lacunas no enfrentamento ao crime organizado, que se expande por diferentes estados e fronteiras.
Projeto antifacção, PL 5582/25, e o papel da Polícia Federal nas investigações
Hugo Motta informou que intermediou uma reunião entre o deputado Guilherme Derrite (PL-SP), relator do projeto antifacção (PL 5582/25), e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O objetivo, segundo o presidente da Câmara, é alinhar o texto do chamado marco legal do combate ao crime organizado às necessidades investigativas e à repartição de competências já estabelecidas em lei.
Nesse contexto, Motta foi direto ao ponto ao assegurar a continuidade do protagonismo da PF no combate às facções. "Vamos garantir que a Polícia Federal mantenha suas atribuições nas investigações contra o crime organizado", reforçou o presidente. A sinalização atende a uma preocupação recorrente de especialistas e agentes de segurança sobre a preservação das competências federais em casos de grande complexidade e transnacionalidade.
O PL 5582/25 é tratado por parlamentares como uma peça central para atualizar procedimentos, reforçar mecanismos de cooperação e ampliar instrumentos de rastreamento financeiro e tecnológico, pontos vistos como cruciais no enfrentamento ao crime organizado. A reunião intermediada por Motta busca consolidar um texto com alta aderência às necessidades do sistema de justiça criminal, preservando a efetividade das investigações.
Segurança pública como urgência nacional e próximos passos no Plenário
Ao longo do fim de semana anterior à reunião, Hugo Motta afirmou que a segurança pública é uma pauta suprapartidária e uma urgência nacional. Segundo ele, o projeto antifacção, também conhecido como marco legal do combate ao crime organizado, terá um debate amplo e transparente no Plenário da Câmara, envolvendo líderes, colegiados temáticos e a sociedade civil.
Para esta terça-feira, 11, a pauta do Plenário inclui diferentes propostas relacionadas à segurança pública, o que indica a intenção da Casa de dar celeridade à tramitação de medidas consideradas essenciais para conter o avanço do crime organizado em todo o País. O encadeamento entre votações e articulações com o STF, o Ministério Público e a Polícia Federal pretende reduzir gargalos e criar uma base legal sólida, com foco na eficiência e na proteção de direitos.
A expectativa, conforme sinalizado pela liderança da Câmara, é que as discussões avancem com transparência, previsibilidade e construção de consensos, valorizando evidências técnicas e a experiência de campo dos órgãos de inteligência e investigação. O reforço na cooperação federativa é apontado como diferencial para resultados duradouros.
Ao defender a união das instituições, Motta busca ancorar a agenda legislativa em um consenso mínimo nacional, em que o combate ao crime organizado não se submeta a polarizações políticas, mas sim a métricas de desempenho, metas integradas e responsabilização. O alinhamento com o STF e com o Ministério Público, além do canal direto com a Polícia Federal, compõe a estratégia anunciada para fortalecer o enfrentamento ao crime em todas as frentes.
Com isso, a Câmara pretende transformar o momento de articulação em resultados concretos, mantendo o tema em evidência e entregando uma resposta institucional coordenada, capaz de proteger a população e enfraquecer a capacidade de operação do crime organizado em território nacional.


