Sabesp lança programa de hidrômetros inteligentes com medição ultrassônica, app com consumo por hora e alertas de vazamento em São Paulo e São José dos Campos
A Sabesp apresentou no ESG Fórum o que classificou como o maior programa de medição inteligente de água já implementado no mundo, baseado em hidrômetros inteligentes de tecnologia ultrassônica conectados por IoT. Segundo Daniel Senna Guimarães, gerente de Telemetria da companhia, o plano prevê a substituição de 4,4 milhões de medidores em São Paulo e São José dos Campos, um movimento que deve redefinir a gestão do consumo e a eficiência hídrica no estado.
Ao detalhar o escopo do projeto, Guimarães reforçou a escala inédita da iniciativa. “Estamos falando do maior projeto do mundo em quantidade de medidores. Não há parâmetro semelhante.” A dimensão do investimento em hidrômetros inteligentes abre caminho para ganhos operacionais e para uma nova experiência do consumidor com a água.
Hidrômetros inteligentes com ultrassom e IoT mudam a relação com a água
Com a troca dos equipamentos atuais por hidrômetros inteligentes ultrassônicos, a Sabesp habilita uma leitura de consumo hora a hora do dia anterior por meio de aplicativo, criando um patamar inédito de transparência hídrica para o usuário. A plataforma também enviará alertas de picos de consumo e de possíveis vazamentos, favorecendo ações rápidas de contenção e uso consciente.
Do lado da operação, a companhia integrará a macro e micro-medição, o que acelera a identificação de perdas em ruas, bairros e adutoras. Ao cruzar dados de rede e de ponta, a detecção de desvios se torna mais assertiva, reduzindo o tempo de resposta, mitigando desperdícios e gerando ganhos de produtividade na manutenção do sistema.
Essa combinação de sensores, dados e conectividade viabiliza a leitura remota, melhora a qualidade das informações de consumo e sustenta um ciclo de gestão orientado por evidências. Para o consumidor, o resultado é clareza sobre o uso diário, com informações que estimulam o consumo consciente e a prevenção de surpresas na conta.
Troca em massa, mais de 100 mil por mês, logística reversa e novas fábricas
Para tornar o projeto viável, a Sabesp montou uma operação de campo em larga escala. A companhia projeta um pico de mais de 100 mil substituições por mês, o que exige coordenação fina de equipes, fornecedores e atendimento ao cliente. O cronograma prevê frentes simultâneas em diferentes regiões, com comunicação ativa para orientar moradores sobre visitas técnicas e procedimentos de instalação.
Os hidrômetros retirados seguirão processos de logística reversa, garantindo a destinação adequada de plástico e latão. Esse fluxo fecha o ciclo de materiais e reduz a pressão ambiental do descarte, alinhando a iniciativa a princípios de economia circular e de governança socioambiental.
Segundo Guimarães, a demanda gerada pelos hidrômetros inteligentes já estimula a instalação e ampliação de fábricas no Brasil. Empresas europeias do setor avançam para produzir localmente, o que tende a fortalecer a cadeia de suprimentos, reduzir prazos de entrega e fomentar empregos qualificados na indústria de medição.
Certificações, comunicação com o consumidor e ganhos de eficiência hídrica
Antes da expansão total, a Sabesp conduz testes e validação técnica dos equipamentos, que precisam atender às certificações do Inmetro e da Anatel, além de cumprir ensaios próprios nos laboratórios da empresa. Essa etapa assegura precisão de leitura, robustez de rede e conformidade regulatória, pilares essenciais para um parque de medição confiável em grande escala.
Para facilitar a adoção dos hidrômetros inteligentes, a companhia lançará campanhas em mídia e enviará notificações personalizadas ao longo da implantação. A estratégia inclui incentivar a conta digital, reduzindo o uso de papel e ampliando os canais de relacionamento com o cliente. Com dados mais granulares e comunicação contínua, a empresa busca orientar mudanças de hábito e engajar a população na redução de perdas.
Na visão de Guimarães, a implantação dos hidrômetros inteligentes representa uma mudança estrutural na relação entre consumidor e fornecimento de água. O impacto dependerá do engajamento dos usuários, porém a Sabesp aposta que a combinação de dados, IoT e ação integrada reduzirá perdas e elevará a eficiência hídrica em toda a rede, ao mesmo tempo em que empodera o cidadão com informação, transparência e controle do próprio consumo.
Ao unir medição ultrassônica, conectividade e gestão por dados, o projeto estabelece um novo padrão para serviços de água no país. A escala, a estratégia de logística reversa e o estímulo à indústria local indicam que a modernização dos medidores pode gerar benefícios que vão além da conta de água, alcançando eficiência operacional, sustentabilidade e inovação de ponta a ponta.