Educação tecnológica nas empresas brasileiras: estudo Alura + FIAP 2025/26 revela ganho de produtividade em 65,6% e impacto da IA com nota 9,2

Pesquisa com RH, T&D e TI aponta que a Inteligência Artificial impulsiona a performance e que apenas 13% atingem maturidade digital, reforçando a urgência da educação tecnológica

A adoção de tecnologias emergentes e o investimento em educação tecnológica estão acelerando a inovação e a eficiência em empresas no Brasil. É o que mostra a 2ª edição da pesquisa Educação Tech & Inovação nas Empresas 2025/26, conduzida pela Alura + FIAP Para Empresas, que ouviu profissionais de Recursos Humanos, Treinamento & Desenvolvimento e Tecnologia. O levantamento evidencia que estratégias de capacitação passaram a integrar o núcleo das decisões de negócio, com reflexos diretos na produtividade e na competitividade.

Segundo o estudo, 65,6% das organizações já percebem aumento na produtividade após investir em capacitação tecnológica. Além disso, 81% dos respondentes afirmam que a Inteligência Artificial tem impacto direto na performance dos times, atribuindo uma nota média de 9,2, em uma escala de 0 a 10, à contribuição da IA para os resultados corporativos. Esses dados reforçam a centralidade da educação tecnológica para acelerar resultados e viabilizar a transformação digital.

Para Tavane Gurdos, diretora geral da Alura + FIAP Para Empresas, a qualificação contínua é determinante para a competitividade. “A capacitação e o desenvolvimento de competências tecnológicas são pilares fundamentais para as empresas que desejam responder com agilidade às transformações do mercado e se manter competitivas”, destaca. “É preciso preparar pessoas de todas as áreas para pensar estrategicamente a tecnologia e saber usá-la como um ativo de crescimento e inovação”.

Capacitação tecnológica no orçamento e na estratégia: maturidade ainda é desafio

A pesquisa indica que a maioria das organizações direciona recursos para parcerias educacionais, com prioridade para plataformas de aprendizado com trilhas estruturadas, além de treinamentos pontuais e coparticipação em cursos de graduação e pós-graduação. Esse movimento confirma a educação tecnológica como um componente estratégico, conectado ao negócio e à performance de times.

Apesar dos avanços, o levantamento aponta que 87% das empresas ainda não atingiram maturidade digital plena, e que apenas 13% se consideram digitalmente maduras, uma queda de 21% em relação a 2023. O cenário sugere um descompasso entre a velocidade das mudanças tecnológicas e a capacidade das companhias de absorver novas práticas, o que amplia a urgência por aprendizagem contínua, governança e indicadores de impacto.

O estudo também mostra que a educação tecnológica é vista como essencial para fomentar culturas orientadas à performance e fortalecer a liderança, com mais de 50% dos respondentes elegendo esses pontos como fundamentais para sustentar a transformação digital e a inovação.

IA e inovação: uso avança em TI, Dados, Marketing e RH, com alto impacto na performance

Mesmo com adoção ainda incipiente em parte das áreas, a Inteligência Artificial ganha espaço de forma consistente. De acordo com a pesquisa, as áreas de Tecnologia (81,7%), Dados (54,1%), Marketing (37,4%) e Recursos Humanos (29,7%) já utilizam ferramentas de IA no dia a dia. Entre as prioridades estratégicas para elevar a eficiência operacional, destacam-se a adoção de IA, o desenvolvimento de lideranças e a implementação de metodologias ágeis, elementos que se reforçam mutuamente quando acompanhados por trilhas de educação tecnológica bem estruturadas.

A percepção de valor é alta. Para 81% dos respondentes, a IA tem impacto direto na performance, e a contribuição é avaliada com nota média de 9,2. Esses resultados sugerem que capacitar pessoas para criar, testar e escalar soluções baseadas em IA pode encurtar o tempo entre a experimentação e o ganho de negócio, desde que a educação tecnológica esteja integrada à estratégia e a métricas de resultado.

O relatório também aponta aumento na abrangência da qualificação. 47% dos respondentes afirmam que todas as pessoas colaboradoras são incentivadas a se desenvolver em tecnologia, o que representa um aumento de 33% em relação a 2023. A tendência confirma que o domínio de competências digitais deixou de ser restrito a especialistas, alcançando áreas diversas e acelerando a transformação digital de ponta a ponta.

Liderança, personalização e cultura de aprendizado contínuo como motores da mudança

Um dos achados mais relevantes é o papel da liderança na efetividade das ações de aprendizado. Segundo o estudo, 61,83% das empresas já oferecem programas voltados ao desenvolvimento de líderes. Além disso, mais de 80% dos respondentes afirmam que a personalização da jornada de aprendizado é essencial para gerar resultados mais consistentes, evidenciando a importância de estratégias customizadas, orientadas por dados e alinhadas ao propósito do negócio.

Na visão de Tavane Gurdos, a liderança é alavanca de mudança cultural. “O líder que aprende e incentiva o aprendizado multiplica a transformação. Quando a liderança entende o poder estratégico da educação tech, ela se torna catalisadora de inovação e performance”, afirma. Ao lado de trilhas personalizadas, a educação tecnológica tende a acelerar a adoção de novas ferramentas e práticas, promovendo ciclos mais curtos de aprendizado e impacto.

Apesar dos benefícios, persistem obstáculos que precisam ser endereçados de forma estruturada. Entre os mais citados pelos participantes estão a falta de orçamento destinado à formação, o baixo engajamento dos profissionais e a necessidade de maior sensibilização das lideranças sobre a importância do aprendizado contínuo. Como o levantamento considerou respostas múltiplas, fica claro que tais desafios coexistem na realidade das empresas brasileiras, exigindo governança, comunicação clara e indicadores de sucesso para sustentar a educação tecnológica no longo prazo.

Ao consolidar investimento, liderança ativa e personalização, organizações no Brasil tendem a capturar ganhos mais rápidos de produtividade e inovação, ampliando a competitividade em um ambiente digital cada vez mais dinâmico. Os dados da 2ª edição da pesquisa da Alura + FIAP Para Empresas reforçam que a educação tecnológica não é apenas uma agenda de treinamento, mas um vetor estratégico para transformar processos, pessoas e resultados.

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