Com IA na Justiça do Trabalho, legaltech do Grupo Pact Insights cruza dados públicos e internos, prevê acordos com 73% de acerto e reduz consultas de processos de 20 para 1 minuto
Em um país com mais de 5 milhões de processos trabalhistas em tramitação, a pressão por eficiência e previsibilidade cresce a cada dia. Nesse cenário, a adoção de IA na Justiça do Trabalho começa a sair do discurso e impactar a rotina de departamentos jurídicos e escritórios. O Grupo Pact Insights afirma ter alcançado 73% de acurácia na previsão de quais ações têm maior chance de acordo, resultado obtido em testes com dados históricos de processos. Mais do que prever, a plataforma sugere estratégias de negociação com base em evidências, cruzando informações públicas dos tribunais com documentos internos das empresas.
Segundo a legaltech, a solução combina automação, modelos de machine learning e visualização de dados para transformar o contencioso de massa. O objetivo é claro, usar IA na Justiça do Trabalho para reduzir custos, dar celeridade às análises e melhorar a tomada de decisão em acordos trabalhistas.
Por que a previsibilidade em acordos importa
Além da taxa de acerto, a proposta ataca um gargalo estrutural. Ao identificar com antecedência os processos com maior potencial de acordo, departamentos jurídicos conseguem priorizar casos, calibrar ofertas e alinhar estratégias financeiras. O CEO do grupo, Lucas Pena, resume essa virada de chave ao afirmar, “Nosso modelo transforma incertezas em estratégia. Com tecnologia e dados, conseguimos prever quais casos têm maior chance de acordo e conduzir negociações mais eficazes, com impacto direto no caixa das empresas e na eficiência do Judiciário”.
Essa visão dialoga com o avanço de IA na Justiça do Trabalho em iniciativas públicas e privadas. Com contenciosos volumosos e custos crescentes, a previsibilidade tende a se tornar um indicador estratégico. A legaltech reforça que não se trata de substituir profissionais, e sim de potencializar o trabalho analítico ao direcionar esforços para os casos mais viáveis.
Na prática, a empresa destaca ganhos tangíveis, como a redução do tempo médio de consulta a processos de 20 para 1 minuto. Essa eficiência operacional libera equipes para atividades de maior valor, como negociações e desenho de estratégias jurídicas, beneficiando tanto empresas quanto o ecossistema do Judiciário.
Como a tecnologia funciona na prática
O sistema combina diferentes camadas. Leitores automatizados, ou crawlers, percorrem sites de tribunais e coletam dados públicos em tempo real. Em seguida, o reconhecimento de caracteres, OCR, transforma PDFs e imagens em texto pesquisável, alimentando a base analítica. A automação de tarefas, RPA, executa rotinas repetitivas, como atualizações em sistemas e organização de informações.
Com a base consolidada, entram os modelos de previsão com redes neurais, responsáveis por apontar os casos com maior potencial de acordo. A camada final apresenta painéis interativos com indicadores e estatísticas, facilitando a leitura executiva e a priorização de frentes. Esse encadeamento de etapas busca levar a IA na Justiça do Trabalho para o dia a dia, evitando que a tecnologia fique restrita a provas de conceito.
De acordo com a empresa, a abordagem é data-driven, já que cruza informações públicas dos tribunais com documentos internos. Isso permite que as recomendações sejam mais aderentes à realidade de cada operação, às políticas de acordo e à jurisprudência que circunda os casos. Em linguagem direta, a plataforma tenta responder à pergunta que move times jurídicos, quais processos devo endereçar primeiro e por quanto devo negociar.
Resultados, clientes e próximos passos
O pacote de soluções foi testado em operações de grande porte. A ferramenta já foi aplicada em empresas como iFood, Magazine Luiza, CVC, Raízen e MachadoMeyer, reforçando a adoção corporativa de IA na Justiça do Trabalho. No total, o grupo diz ter negociado mais de 2 mil acordos trabalhistas nos últimos três anos, com risco transacionado superior a R$ 1 bilhão.
No plano de negócios, o Grupo Pact Insights reporta tração e metas de expansão. Em 2024, o grupo faturou R$ 13,5 milhões e projeta alcançar R$ 20 milhões em 2025. A operação é nacional, com duas frentes complementares, a Pact, focada em negociação de passivos judiciais, e a Legal Insights, dedicada à análise de dados jurídicos. Segundo o CEO, essa combinação permite integrar a inteligência preditiva a rituais de execução, garantindo que a análise vire ação no pipeline de acordos.
Em termos de proposta de valor, Pena reforça a mudança cultural buscada pelas empresas. “Não se trata apenas de tecnologia, mas de mudar a forma como o contencioso é tratado. Nosso objetivo é reduzir custos, aumentar a previsibilidade e promover uma cultura de resolução mais eficiente”. O discurso espelha a demanda atual por produtividade e controle de risco, especialmente em ambientes com litígios recorrentes.
O avanço de IA na Justiça do Trabalho também abre discussões sobre governança de dados, transparência de modelos e calibragem contínua. A legaltech enfatiza que a acurácia de 73% foi mensurada em testes com dados históricos de processos, e que a evolução do modelo depende de feedbacks reais, qualidade das bases e atualização de padrões de decisão dos tribunais.
Com automação, aprendizado de máquina e integração com rotinas jurídicas, a aposta é que o uso estratégico de dados acelere acordos, reduza filas e melhore a previsibilidade do contencioso. Para um contencioso de massa como o trabalhista, esse tipo de entrega pode representar a diferença entre reagir ao volume e conduzir negociações com base em evidências, colocando a IA na Justiça do Trabalho como aliada de resultado, e não apenas como promessa tecnológica.