Rimini Street: 92% dos CIOs temem escalada de custos no modelo SaaS, e ROI do SAP S/4HANA segue sob pressão

Levantamento com 455 executivos em 11 países expõe a escalada de custos no modelo SaaS, a insatisfação com a migração ao S/4HANA e a imprevisibilidade contratual

Um estudo divulgado pela Rimini Street joga luz sobre um problema que vem tirando o sono de líderes de TI ao redor do mundo. A pesquisa, realizada com 455 executivos de tecnologia e negócios em 11 países, mostra que a escalada de custos no modelo SaaS preocupa a maioria das organizações, que relatam contratos complexos, imprevisibilidade financeira e pouca clareza sobre retorno. O Brasil teve destaque na amostra, com o Brasil aparecendo como o segundo maior grupo de respondentes, atrás apenas dos EUA.

Os dados reforçam um descompasso entre investimento e valor percebido. Segundo o levantamento, 95% das organizações têm dificuldade em justificar um ROI positivo ao migrar para o S/4HANA, enquanto 84% dos executivos afirmam estar insatisfeitos com prazos e políticas de migração. Em paralelo, 92% temem a escalada de custos no modelo SaaS, refletindo um cenário de despesas ascendentes em ERP e infraestrutura em nuvem, com impactos diretos em orçamento e planejamento.

Por que o ROI do S/4HANA patina para a maioria

Para a maior parte dos respondentes, a jornada rumo ao SAP S/4HANA tornou-se altamente técnica e custosa, com poucas evidências de ganhos mensuráveis no curto prazo. A dificuldade em fechar a conta do ROI afeta o timing de projetos e empurra empresas para decisões mais prudentes, sobretudo quando há incertezas contratuais e dependência tecnológica ampliada.

Nesse contexto, Helio Matsumoto, CTO da Rimini Street na América Latina, explica que a pressão por modernização não pode descolar do retorno de negócio. Em suas palavras, “embora o aumento dos gastos em tecnologia seja esperado em um cenário de digitalização e expansão do uso de IA, esses investimentos precisam necessariamente gerar retorno, melhorar processos ou reduzir custos.” Ele complementa que “Quando a despesa ocorre apenas para cumprir roadmaps impostos pelos fabricantes, o ROI deixa de existir e outros projetos mais estratégicos acabam comprometidos.”

Contratos, nuvem e a volta do FinOps para conter a escalada de custos no modelo SaaS

A escalada de custos no modelo SaaS aparece no estudo como efeito de contratos complexos e de imprevisibilidade financeira, um ponto que, segundo Matsumoto, já impacta tanto projetos de ERP quanto a adoção de nuvem. O histórico recente do mercado também pesa, com relatos de movimentos de repatriação após promessas de eficiência que não se concretizaram no balanço.

O executivo lembra que “a corrida desordenada para a nuvem, motivada por modismos e promessas de eficiência, levou muitas companhias à repatriação após enfrentar custos maiores do que o previsto.” Para lidar com a volatilidade, cresce o uso de práticas de FinOps e mecanismos rigorosos de governança financeira. Como resume Matsumoto, “a crescente complexidade dos modelos SaaS torna mais difícil prever custos e sustentar o payback no longo prazo, um desafio que já levou organizações a criar estruturas especializadas de FinOps.”

IA generativa, ERP invisível e decisões mais prudentes

O estudo também revela que 49% das empresas não pretendem migrar para o S/4HANA em nuvem nos próximos cinco anos. Para Matsumoto, essa postura combina prudência financeira e uma reação às lições recentes do mercado digital. A pressão para abandonar licenças perpétuas e adotar modelos 100% SaaS sem um business case robusto pode ampliar riscos de custo e de lock-in tecnológico.

Nesse sentido, ele alerta que “o mesmo risco se repete agora: empresas pressionadas a abrir mão de licenças perpétuas e adotar modelos 100% SaaS sem clareza sobre o impacto real no orçamento, nos contratos e na dependência tecnológica.” Em paralelo, a evolução acelerada de IA generativa e de agentes inteligentes reposiciona o papel do ERP, que tende a se tornar mais invisível na operação, porém ainda mais crítico na estratégia de dados e na orquestração de processos.

O recado é claro para quem define portfólios de TI e prioriza investimentos. Segundo Matsumoto, “Com a chegada da IA generativa e a tendência de tornar o ERP cada vez mais invisível, operando por meio de agentes inteligentes, ele reforça que as empresas precisam avaliar alternativas, controlar gastos e garantir que cada investimento tecnológico tenha impacto direto nos resultados.” Em outras palavras, o foco deve permanecer em valor de negócio, com métricas de ROI e payback rastreáveis, contratos transparentes e governança contínua para impedir que a escalada de custos no modelo SaaS comprometa iniciativas estratégicas.

Ao final, o estudo da Rimini Street sugere que, embora haja casos específicos com justificativa de migração clara, a maioria ainda não enxerga retorno mensurável para movimentos apressados. Em um cenário em que a inovação é vital, equilibrar eficiência financeira, flexibilidade tecnológica e autonomia contratual parece ser o caminho mais sólido para capturar valor, sem se render à imprevisibilidade que acompanha muitos contratos de modelo SaaS.

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