Pesquisa com jovens de 11 a 17 anos no Reino Unido e nos EUA indica que 86% da Geração Alpha espera empregos radicalmente diferentes, com 81% apostando no modelo flexível e 88% no uso diário de robôs e assistentes inteligentes
A Geração Alpha, formada por pessoas nascidas a partir de 2010, quer um futuro do trabalho muito diferente do vivido por seus pais. Um estudo do International Workplace Group, IWG, realizado com jovens de 11 a 17 anos e seus pais no Reino Unido e nos Estados Unidos, aponta que 86% esperam que suas vidas profissionais sejam radicalmente transformadas até 2040.
O levantamento mostra um cenário em que trabalho híbrido, flexibilidade e tecnologia se tornam pilares do cotidiano, enquanto o deslocamento diário e até o e-mail perdem espaço para formatos mais ágeis e inteligentes. Na visão desses jovens, a rotina de escritório tradicional dá lugar a uma dinâmica descentralizada, apoiada por IA e robôs, com foco em eficiência e qualidade de vida.
Flexibilidade como regra, não exceção
Segundo a pesquisa, 81% da Geração Alpha acreditam que o trabalho flexível será a norma em 2040, com liberdade para escolher como e onde trabalhar. Apenas 17% esperam atuar em um escritório principal o tempo todo, sinalizando uma preferência por dividir o tempo entre casa, espaços de trabalho locais e a sede da empresa, de modo a executar as tarefas com mais eficiência.
Os benefícios percebidos dessa mudança também ficam claros. Os respondentes destacam a redução do estresse causado pelo deslocamento, 51%, mais tempo com amigos e família, 50%, melhora na saúde e bem-estar, 43% e produtividade maior, 30%. A flexibilidade é vista como um fator tão determinante que 33% acreditam que a semana de quatro dias será o padrão.
O movimento já aparece em parte do mercado. “Nos EUA, 22% dos trabalhadores afirmam que seu empregador oferece uma semana de quatro dias, segundo o estudo ‘2024 Work in America Survey’, realizado pela The Harris Poll em parceria com a American Psychological Association.”
No Brasil, a tendência também ganha força, segundo o IWG. “Os dados revelam uma mudança de mentalidade muito clara entre os jovens que, em breve, ocuparão a maior parte da força de trabalho. No Brasil, já observamos uma demanda crescente por modelos flexíveis que aproximem as pessoas de onde vivem e que proporcionem mais qualidade de vida”, diz Tiago Alves, CEO Brasil do IWG. “As empresas que compreenderem essa tendência e estruturarem operações híbridas desde já estarão mais preparadas para atrair talentos da Geração Alpha e para competir em um ambiente profissional cada vez mais tecnológico e descentralizado”, acrescenta.
Deslocamento diário em queda livre
Entre as mudanças mais marcantes para a Geração Alpha está o fim do longos deslocamentos diários. Menos de um terço, 29%, espera gastar mais de 30 minutos por dia para ir ao trabalho, padrão ainda comum para muitos pais. A maioria projeta contar com home office e espaços de trabalho perto de onde moram, reduzindo o tempo perdido no trânsito.
Para 75% dos jovens, cortar o tempo de deslocamento será uma prioridade, permitindo passar mais tempo com suas próprias famílias no futuro. O recado é direto, a próxima geração quer trabalhar com autonomia de local, com infraestrutura próxima de casa e suporte tecnológico para colaborar com eficiência, sem depender de um escritório central para tudo.
Esse redesenho da rotina aponta para cidades mais policêntricas, com a adoção de coworkings e escritórios satélites, e para empresas que investem em ambientes distribuídos. Quanto menos deslocamento, mais tempo para atividades pessoais e mais energia para performar no trabalho, reforçando o vínculo entre bem-estar e produtividade.
Tecnologia no centro, IA e robôs no dia a dia, e o possível adeus ao e-mail
A pesquisa indica que a inteligência artificial e a automação serão parte integrante do expediente. Para 88% da Geração Alpha, o uso de assistentes inteligentes e robôs será regular no trabalho. A expectativa tecnológica inclui ainda headsets de realidade virtual para reuniões em 3D, 38%, áreas de jogos, 38%, cápsulas de descanso, 31%, configurações personalizadas de temperatura e iluminação, 28% e salas de reunião com realidade aumentada, 25%.
Talvez a previsão mais ousada, 32% acreditam que o e-mail estará morto, substituído por plataformas e recursos que viabilizem colaboração mais fluida. A mudança ecoa o histórico de inovação no trabalho digital, agora impulsionada por IA generativa, agentes autônomos e interfaces imersivas.
Para o fundador e CEO do IWG, Mark Dixon, a direção é inequívoca. “A próxima geração de trabalhadores deixou claro: flexibilidade sobre onde e como trabalhar não é opcional, é essencial. A geração atual cresceu vendo seus pais desperdiçarem tempo e dinheiro em longos deslocamentos diários, e a tecnologia disponível hoje basicamente tornou isso redundante”, afirma. Ele acrescenta que a tecnologia continuará moldando o trabalho. “A tecnologia sempre moldou o mundo do trabalho e continuará moldando. Há 30 anos, vimos o impacto transformador da ampla adoção do e-mail e, hoje, o advento da IA e dos robôs está tendo um impacto igualmente profundo — influenciando como e onde a Geração Alpha trabalhará no futuro”.
No horizonte de 2040, quando a Geração Alpha deve representar a maioria da força de trabalho, o recado do estudo do IWG é claro, flexibilidade, tecnologia e bem-estar não serão diferenciais, mas a base da competitividade. Empresas que se anteciparem, adotando operações híbridas, infraestrutura distribuída e ferramentas de IA, tendem a atrair melhor o novo talento e acelerar resultados em um mercado cada vez mais digital e descentralizado.