Bolsa-Desempenho na segurança pública: Comissão da Câmara aprova programa de bônus atrelado a metas com mínimo de 20% da remuneração

Comissão aprova criação de bolsa-desempenho para profissionais da segurança pública - Notícias

Entenda como a bolsa-desempenho funcionará, quem poderá receber e quais são os próximos passos na tramitação do PL 500/25

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou a criação do Programa de Incentivo ao Desempenho na Segurança Pública, a chamada bolsa-desempenho, voltada a profissionais das forças de segurança pública e defesa social. A iniciativa premia o cumprimento de metas e a melhoria dos indicadores de segurança, com o objetivo de estimular eficiência e resultados em políticas de segurança pública.

O texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado Capitão Alden (PL-BA), ao Projeto de Lei 500/25, de autoria do deputado Silas Câmara (Republicanos-AM). A proposta, que tramita em caráter conclusivo, ainda passará por análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) antes de seguir para o Senado.

Segundo a Câmara dos Deputados, o mecanismo funcionará como um bônus de produtividade vinculado ao desempenho, com adesão voluntária de União, estados e municípios por meio de convênios. A implementação será condicionada a metas claras, transparência e integração de dados nacionais.

O que prevê a bolsa-desempenho

Pelo texto aprovado, o valor da bolsa-desempenho corresponderá a pelo menos 20% da remuneração mensal do servidor, e o benefício não será computado para o teto remuneratório constitucional. Na prática, trata-se de um incentivo adicional, atrelado a resultados mensuráveis, que busca reconhecer o mérito e a excelência operacional.

Para receber o benefício, o profissional não poderá ter sido punido por infração administrativa grave nos 12 meses anteriores ao período de avaliação. O substitutivo de Capitão Alden também estabelece critérios de elegibilidade individual e reforça o vínculo entre desempenho e bonificação, privilegiando equipes e servidores que alcançarem metas previamente definidas.

Uma exigência central para a adesão dos entes federativos é a manutenção de dados atualizados no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). As metas, por sua vez, deverão ser objetivas e alinhadas à Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS), permitindo aferição transparente dos resultados e comparabilidade entre unidades e períodos.

Ao justificar a proposta, o relator afirmou: “A proposição atua como um poderoso instrumento de gestão de pessoas, ao atrelar uma justa e merecida vantagem remuneratória ao esforço e ao sacrifício desses servidores que dedicam suas vidas à proteção da sociedade, muitas vezes em condições de alto risco”. A fala reforça o objetivo de reconhecer o desempenho e fortalecer a motivação das equipes.

Recursos, transparência e critérios de avaliação

O custeio do programa virá do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), com a possibilidade de complementação por convênios firmados entre a União, estados e municípios. A diretriz é que a gestão do incentivo seja integrada, com regras uniformes de mensuração do desempenho e prestação de contas pública.

O texto determina que o Poder Executivo federal regulamentará os mecanismos de transparência e divulgação de resultados, incluindo a publicação de relatórios públicos de avaliação. Esses documentos deverão demonstrar metas, indicadores, séries históricas e resultados alcançados, preservando os dados pessoais dos beneficiários.

Como a bolsa-desempenho é um instrumento de incentivo, os entes que aderirem ao programa precisarão estabelecer metas claras, mensuráveis e alinhadas às diretrizes nacionais. A atualização regular e a qualidade dos dados no Sinesp serão fundamentais para reduzir subnotificações, padronizar registros e permitir comparações, o que melhora a gestão e o controle social sobre os gastos do setor.

Ao estruturar o benefício como um bônus de produtividade, a proposta também busca induzir boas práticas de gestão de pessoas, aproximando remuneração variável e desempenho, com foco em indicadores de segurança pública como redução de crimes, eficiência investigativa e melhoria no atendimento ao cidadão.

Tramitação do PL 500/25 e próximos passos

A proposta aprovada na Comissão de Segurança Pública segue agora para a CCJ. Por tramitar em caráter conclusivo, o texto, após aprovação na CCJ, poderá seguir diretamente ao Senado, salvo se houver recurso para votação no Plenário da Câmara.

Para virar lei, o PL 500/25 precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Enquanto isso, estados e municípios interessados poderão preparar planos de adesão, mapeando indicadores prioritários, sistemas de coleta de dados e formas de integração com o Sinesp, uma vez que a adesão é voluntária e condicionada a convênios.

O substitutivo manteve o objetivo central do projeto original de Silas Câmara, mas ajustou pontos para tornar a execução mais viável, com ênfase em metas objetivas, critérios de elegibilidade e integração federativa. A expectativa é que, com a bolsa-desempenho, haja estímulos adicionais para a melhoria dos indicadores de segurança e para a valorização de profissionais que atuam diariamente na proteção da sociedade.

Mais detalhes podem ser consultados na publicação oficial da Câmara dos Deputados, disponível em neste link. A proposta segue em análise na Câmara dos Deputados, e novas atualizações sobre regulamentação, prazos e indicadores deverão ser definidas na etapa seguinte.

Com foco em resultados, transparência e governança de dados, a bolsa-desempenho se posiciona como mais um instrumento de política pública para segurança e defesa social, buscando alinhar incentivos às metas da PNSPDS e aos interesses do cidadão.

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