ChatGPT no e-commerce, estudo aponta mais de 6,1 milhões de visitas de referência e consolida a IA generativa como canal de tráfego no Brasil

ChatGPT no e-commerce lidera as buscas generativas, responde por 99% do tráfego brasileiro em IA e impulsiona varejistas digitais, indica pesquisa Cadastra e Similarweb

A adoção de IA generativa já redefiniu a forma como os brasileiros descobrem produtos e serviços online, e o impacto direto no varejo digital começa a aparecer em escala. Segundo o estudo O Futuro da Busca, realizado pela Cadastra em parceria com a Similarweb, ChatGPT no e-commerce emergiu como um novo e relevante canal de tráfego, com efeito mensurável nas visitas de referência para grandes varejistas.

De acordo com a pesquisa, “ChatGPT gerou mais de 6,1 milhões de visitas de referência aos dez maiores varejistas digitais entre janeiro de 2023 e agosto de 2025.” O volume consolida a plataforma como um ponto de partida para jornadas de compra, alterando a dinâmica entre os mecanismos de busca tradicionais e os modelos de linguagem.

Os dados mostram ainda a dominância da ferramenta no ecossistema local de IA generativa. “Segundo a análise, o ChatGPT responde por 99% do tráfego brasileiro em ferramentas de IA generativa, totalizando 310,67 milhões de acessos em agosto de 2025. O Perplexity registrou 2,01 milhões de visitas no mesmo período.” Com esse desempenho, o Brasil se posiciona como terceiro maior mercado global de IA generativa, atrás de Estados Unidos e Índia.

GEO, a nova disputa por visibilidade nas respostas de IA

O avanço de ChatGPT no e-commerce vem acompanhado da consolidação do GEO, Generative Engine Optimization, prática voltada a aumentar a presença de marcas nas respostas de modelos generativos. Diferente do SEO tradicional, que depende do ranqueamento em páginas de resultados, o GEO busca ser referenciado pelos sistemas de IA, influenciando a forma como os conteúdos são citados e exibidos em conversas.

Segundo o estudo, a tendência não elimina o papel do Google, que segue com participação relevante, embora com leve redução no volume de acessos enquanto os usuários alternam entre buscas tradicionais e buscas generativas. Nesse novo cenário de descoberta, a produção contínua de conteúdo torna-se essencial para conquistar espaço nas respostas das IAs e sustentar a conversão ao longo da jornada.

A pesquisa reforça que a qualidade das referências citadas pelos modelos e a clareza das informações são decisivas para a visibilidade, especialmente em consultas mais longas e exploratórias, que se tornaram comuns nas plataformas generativas.

Consultas mais longas, sessões mais demoradas e baixa sobreposição de público

O comportamento dos usuários em ferramentas de IA generativa indica um consumo de informação mais aprofundado do que o observado nos buscadores clássicos. A análise registra que “As consultas feitas em plataformas de IA apresentam extensão superior às buscas tradicionais, com média de 23 palavras por interação e duração média de mais de sete minutos por sessão.”

Além disso, a sobreposição entre as audiências das principais ferramentas é pequena, o que reforça o protagonismo da OpenAI no país: “Apenas 1,04% das pessoas que utilizam o ChatGPT também usam o Perplexity”, aponta o levantamento. O recorte etário ajuda a explicar a escala, com predominância de usuários entre 18 e 34 anos, faixa que tende a adotar mais rapidamente novos formatos de busca e compra.

O tráfego por IA cresce de forma desigual entre setores, com beleza, farmácia, moda e viagens entre as categorias mais impactadas. No varejo, o efeito se dá tanto na descoberta de produtos quanto na orientação de compra, com aumento nas consultas informacionais e transacionais que passam a citar marcas e lojas específicas.

Do clique à compra, instant checkout e caminhos para marcas

O estudo destaca o avanço de recursos que aproximam a experiência de consulta da conversão direta, a exemplo do “Instant Checkout”, que permite concluir compras dentro da própria interface do ChatGPT. Embora ainda em evolução, a funcionalidade evidencia o potencial da IA generativa para encurtar jornadas, reduzir atritos e, em certos cenários, competir com intermediários tradicionais.

O movimento já é perceptível em mercados mais maduros. A pesquisa registra que “Nos Estados Unidos, 41% dos consumidores já utilizam buscas generativas para compras”, tendência que deve se intensificar no Brasil à medida que o público se habitua a obter recomendações, comparação de preços e caminhos de compra diretamente em conversas com IA.

Para capturar a nova demanda, a Cadastra recomenda que empresas estruturem processos contínuos de criação e revisão de conteúdo, com foco em linguagem natural, autoridade temática e fontes claras, pilares que aumentam a chance de serem citadas nas respostas. Em paralelo, é fundamental monitorar como ChatGPT no e-commerce e outras plataformas mencionam a marca, quais páginas são referenciadas e quais dúvidas do usuário ainda carecem de conteúdo.

Os bastidores do levantamento também ajudam a dimensionar a confiabilidade dos sinais. Segundo os autores, a metodologia incluiu a análise de dados de janeiro de 2023 a agosto de 2025 em 600 sites de diferentes segmentos, com acompanhamento de palavras-chave, comportamento de navegação e origem de tráfego em plataformas desktop, mobile e aplicativos. As estimativas foram modeladas com métodos de machine learning para padronizar séries históricas e identificar tendências.

Com a consolidação das buscas generativas, a combinação de GEO, mensuração por tráfego de referência e otimização para consultas longas deve ocupar o centro da estratégia digital. Para quem vende online no Brasil, a mensagem é clara: a disputa por atenção agora passa, cada vez mais, pela presença nas respostas da IA e pela capacidade de transformar descoberta em conversão.

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