PL 2810/26 destina 1% do Fundo de Segurança a cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres, entenda quem terá prioridade e como vai funcionar

Projeto reserva 1% do Fundo de Segurança para cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres

Proposta em análise na Câmara reserva verba contínua para cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres, com treinamentos em artes marciais, prevenção situacional e reação defensiva

O Projeto de Lei 2810/26, apresentado pela deputada Silvye Alves (União-GO), reserva 1% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, FNSP, para financiar cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres em todo o país. A medida, que está em análise na Câmara dos Deputados, busca ampliar instrumentos de prevenção à violência de gênero e fortalecer a autonomia feminina por meio de capacitações práticas e contínuas.

Atualmente, a Lei 13.756/18 já permite o direcionamento de recursos do FNSP para ações de enfrentamento à violência contra a mulher, porém não define um percentual mínimo nem contempla explicitamente o financiamento de capacitação em defesa pessoal. Ao fixar o patamar de 1%, o texto cria um fluxo dedicado e permanente para a oferta de cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres, fortalecendo políticas públicas de segurança e prevenção em âmbito nacional.

O que o PL 2810/26 propõe, na prática

Pela proposta, o repasse dos valores ocorrerá por meio de convênios, termos de cooperação ou instrumentos similares firmados com estados, municípios, o Distrito Federal ou entidades sem fins lucrativos credenciadas pelo Poder Público. Essa modelagem busca dar capilaridade à política, permitindo que as ações cheguem às diferentes realidades locais, urbanas e rurais, com foco nas áreas de maior vulnerabilidade.

Os treinamentos deverão contemplar modalidades de artes marciais, técnicas de proteção pessoal, prevenção situacional da violência e preparação para reação defensiva em momentos de risco. A expectativa é que essa combinação de conteúdos promova conhecimento prático, consciência situacional e confiança para que as participantes possam adotar condutas mais seguras no cotidiano, sem substituir o papel central do Estado na proteção e na repressão à criminalidade.

Na justificativa do PL, Silvye Alves afirma que a iniciativa é financeiramente viável e tem potencial para reduzir danos sociais de alta gravidade. Segundo a deputada, “A destinação mínima de 1% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública revela-se medida razoável e financeiramente viável, especialmente diante dos impactos sociais e econômicos decorrentes da violência contra a mulher.”

Quem terá prioridade e como serão os cursos

O texto estabelece prioridade para mulheres em situação de vulnerabilidade social, vítimas de violência doméstica e familiar e moradoras de regiões com elevados índices de violência. Ao organizar essa fila de atendimento, o projeto foca justamente nos públicos com maior exposição ao risco, ampliando o alcance preventivo dos cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres e reforçando sua função cidadã.

As aulas práticas, que incluem defesa pessoal e artes marciais, são apresentadas pela autora como uma ferramenta adicional de segurança e de autonomia. Para contextualizar o cenário nacional que fundamenta a proposta, Silvye Alves destaca: “O Brasil convive com índices alarmantes de violência contra as mulheres, incluindo casos de assédio, agressão física, estupro, feminicídio e outras formas de violência praticadas em espaços públicos e privados”. A avaliação reforça a necessidade de políticas públicas de prevenção, acolhimento e capacitação, em complemento às ações de repressão e responsabilização dos agressores.

Embora os treinamentos prevejam técnicas para prevenção situacional e reação defensiva, a deputada enfatiza que a medida não exime o Estado de suas obrigações constitucionais de combater a criminalidade e proteger as mulheres. Ao financiar a oferta de cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres, o projeto pretende agregar uma camada de proteção, sem transferir às vítimas a responsabilidade pela violência sofrida.

Próximos passos na tramitação

O PL 2810/26 será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, de Defesa dos Direitos da Mulher, de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Nessa etapa, podem ser propostos ajustes de redação e de mérito, além de avaliações sobre a adequação orçamentária e a constitucionalidade.

Para se tornar lei, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Caso receba o aval das duas Casas e seja sancionado, o direcionamento de 1% do FNSP passará a ser obrigatório, garantindo previsibilidade financeira para os cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres e para demais ações de capacitação previstas no projeto.

A proposta também dialoga com a política pública já existente, ao reforçar que a Lei 13.756/18 não fixou percentual para iniciativas de enfrentamento à violência de gênero, nem previu explicitamente o financiamento de defesa pessoal. Ao detalhar fontes, prioridades e temas de formação, o PL 2810/26 busca dar escala e continuidade a uma frente de prevenção considerada estratégica por especialistas e movimentos de defesa dos direitos das mulheres.

Com a institucionalização de um orçamento mínimo dedicado, estados e municípios, além do Distrito Federal e de entidades credenciadas, poderão estruturar parcerias e turmas regulares, criar cronogramas permanentes e ampliar a oferta de cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres, com foco em territórios mais expostos e públicos mais vulneráveis.

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