Panorama da Reforma Tributária sobre o consumo e os principais achados
Tema central da agenda econômica e empresarial do país, a Reforma Tributária sobre o consumo inicia um período de transição em 2026, com a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS, além da redução do campo de incidência do IPI. Em meio a um ambiente de negócios incerto, as companhias brasileiras intensificam diagnósticos e ajustes internos para se adaptar ao novo desenho do sistema tributário, mirando eficiência e resiliência nas operações.
De acordo com o estudo “Tributos no centro: caminhos para a reinvenção”, realizado pela PwC Brasil, 83% das empresas espera um alto impacto da reforma tributária no país. O levantamento mapeia estágio de preparação, preocupações prioritárias e estratégias em curso, confirmando que a Reforma Tributária sobre o consumo já é tratada como tema permanente de gestão.
“A Reforma Tributária sobre o consumo deve ser vista como uma oportunidade para as organizações estabelecerem uma vantagem competitiva e um elemento disruptivo no contexto da sua estratégia de negócios. Pela sua complexidade, abrangência e relevância, o tema deve seguir presente na agenda dos conselhos e do C-level nos próximos anos”, afirma Durval Portela, sócio e líder de Consultoria Tributária da PwC Brasil.
Maturidade desigual por porte e região
O estudo revela que a corrida por preparação ainda está no início para uma parcela relevante do mercado. Mais de um terço das empresas, 37%, ainda se encontra na fase inicial de avaliação de impactos da Reforma Tributária. A maturidade varia conforme o porte, com empresas com faturamento superior a R$5 bilhões exibindo avanços mais consistentes, enquanto as menores, até R$500 milhões, permanecem majoritariamente nas fases iniciais de avaliação.
Há disparidades regionais relevantes. Sudeste e Sul aparecem em estágios mais avançados de preparação, reflexo de bases industriais mais densas e estruturas administrativas mais robustas. No Centro-Oeste, 100% das empresas pesquisadas ainda estão na fase inicial, indicando um desafio adicional para o planejamento e a execução de mudanças. Nesse cenário, a Reforma Tributária sobre o consumo tende a permanecer como prioridade nos conselhos e no C-level, exigindo governança e patrocínio executivo contínuos.
Riscos imediatos e setores mais pressionados
O levantamento indica que prevalece a leitura de riscos imediatos, ainda que existam benefícios potenciais no longo prazo. As preocupações se concentram no aumento da carga tributária sobre a cadeia de valor, 51%, e no impacto negativo no capital de giro e na liquidez da operação, 44%. Outras áreas de risco citadas incluem impacto adverso no EBITDA, 20%, e redução da competitividade, 18%. Nos segmentos, Agronegócio, 60%, e Consumo, 53%, aparecem particularmente apreensivos com a elevação da carga e os prejuízos à liquidez.
Esses dados evidenciam que a gestão financeira e fiscal precisará ser reforçada desde já, com simulações de cenários e revisão de margens para neutralizar efeitos de curto prazo. Para muitas empresas, a Reforma Tributária sobre o consumo exigirá reprecificação, renegociação com parceiros e redimensionamento de estoques, sempre com atenção a indicadores como capital de giro e EBITDA.
Tecnologia no centro da adaptação e as ações estratégicas
A adequação tecnológica surge como prioridade imediata. Quase 70% das empresas iniciaram o diagnóstico de seus sistemas, ERP e soluções fiscais, um passo essencial para mapear impactos e garantir conformidade. A área de Tecnologia da Informação é a segunda mais impactada pela reforma, com 70% das empresas esperando impacto alto. Em termos de maturidade, 37% das empresas estão em estágio inicial de diagnóstico tecnológico e 32% em estágio avançado. Na formação de times, Contabilidade, 93%, e TI, 83%, lideram a estruturação de equipes multidisciplinares dedicadas à transição.
Do lado das respostas estratégicas, as companhias têm adotado medidas pragmáticas. A principal iniciativa reportada é a revisão do mix de produtos e serviços, 37%, seguida por reestruturações societárias e ou operacionais, 31%. Ações mais drásticas, como venda de ativos ou relocalização de unidades produtivas, aparecem como menos frequentes entre as empresas pesquisadas. Essa abordagem gradativa indica foco em ganhos rápidos, aumento de eficiência operacional e mitigação de riscos, pilares que tendem a sustentar a competitividade no pós-transição da Reforma Tributária sobre o consumo.
“As organizações que investirem desde já em análises robustas, capacitação de equipes e modernização de seus sistemas estarão mais bem posicionadas para atravessar a transição com segurança e capturar vantagens competitivas no médio prazo”, completa Durval Portela.
Em síntese, o estudo da PwC Brasil reforça que a Reforma Tributária sobre o consumo é, ao mesmo tempo, um vetor de pressão e uma oportunidade estratégica. Com o início da transição em 2026, as empresas que acelerarem diagnósticos, fortalecerem a governança fiscal e avançarem na modernização tecnológica tendem a reduzir impactos imediatos, proteger liquidez e capturar benefícios estruturais no médio e longo prazos. Como destaca o relatório, 37% das organizações estão em estágio inicial de mensuração, o que exige estratégia clara, investimentos em tecnologia e execução disciplinada para atravessar a mudança com solidez.