Audiência na Comissão de Segurança Pública mira desdobramentos do 1º Cisfal e medidas para reforçar a segurança de fronteiras
Evento na Câmara dos Deputados quer transformar propostas do congresso de Cuiabá em ações integradas contra o crime nas regiões de fronteira
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados agendou para a próxima terça-feira, 10 de março, uma audiência pública dedicada a discutir os encaminhamentos do 1º Congresso Internacional de Segurança de Fronteiras das Assembleias Legislativas (Cisfal). O encontro está marcado para as 10 horas, no Plenário 6, e pretende alinhar propostas a serem levadas ao Governo Federal com foco no fortalecimento da segurança de fronteiras em todo o País.
A sessão atende a pedido do deputado Coronel Assis (União-MT) e se baseia nas conclusões do congresso realizado em setembro do ano passado, em Cuiabá, Mato Grosso. A ideia central é transformar recomendações técnicas e legislativas em um roteiro de implementação, somando esforços de poderes públicos, especialistas e parlamentares para enfrentar crimes transnacionais que pressionam a integridade territorial do Brasil.
Data, horário e o que será discutido
Marcada para começar às 10 horas, a audiência no Plenário 6 pretende sistematizar as deliberações do 1º Cisfal em um documento robusto, voltado a orientar projetos de lei, protocolos de cooperação e estratégias coordenadas de fiscalização. Segundo a Câmara, a pauta inclui prioridades para reforçar a segurança de fronteiras em pontos sensíveis, como a linha Brasil-Uruguai, Brasil-Bolívia e Brasil-Paraguai, onde a pressão do crime organizado e de redes transnacionais exige respostas rápidas, integradas e baseadas em evidências.
Foram convidados representantes do poder público e especialistas da área para contribuir com o diagnóstico e com a priorização de medidas. A expectativa é consolidar diretrizes que apoiem operações integradas, tecnologias de vigilância, inteligência e cooperação interestadual, somando esforços das Assembleias Legislativas e do Executivo nacional.
O que o 1º Cisfal apontou sobre a segurança de fronteiras
De acordo com o deputado Coronel Assis, o 1º Cisfal reuniu diagnósticos e experiências sobre fenômenos que desafiam a segurança de fronteiras, como o domínio territorial por facções criminosas, o chamado “novo cangaço”, o tráfico internacional de drogas e de pessoas, além de crimes ambientais, evasão de divisas, mineração ilegal, uso irregular de agrotóxicos e vulnerabilidades sociais nas regiões de fronteira. Também foram discutidos os desafios institucionais para enfrentar essas práticas, o que passa por integração entre forças de segurança, justiça, órgãos de controle e políticas sociais.
Ao final do encontro em Cuiabá, foi deliberada a elaboração de um documento oficial com propostas e encaminhamentos concretos a serem enviados ao Governo Federal, com o objetivo de fortalecer a segurança nas regiões de fronteira do País. A audiência desta terça-feira busca justamente validar, detalhar e priorizar essas recomendações, de modo a acelerar sua aplicação em escala nacional.
Para além do viés policial, a agenda contempla componentes sociais e econômicos, reconhecendo que a segurança de fronteiras depende também de inclusão produtiva, presença do Estado e serviços públicos que reduzam a vulnerabilidade de populações locais a redes criminosas. O debate considera diferenças regionais e a necessidade de soluções que combinem repressão qualificada, prevenção e desenvolvimento.
Como os encaminhamentos podem virar políticas públicas
A audiência é vista como um passo para viabilizar novas iniciativas legislativas e modelos de governança cooperativa entre União, estados e municípios. Entre as frentes citadas pelos organizadores estão o reforço da inteligência, o compartilhamento de dados, a padronização de procedimentos, a ampliação de capacidades de fiscalização e a modernização tecnológica de vigilância de fronteiras, sempre com foco em resultados mensuráveis e na redução da incidência de crimes transfronteiriços.
O objetivo é que o conjunto de propostas do 1º Cisfal funcione como base para políticas públicas orientadas por evidências, com monitoramento contínuo e mecanismos de coordenação que evitem sobreposições e lacunas entre as diferentes esferas de governo. O alinhamento com o Governo Federal é considerado estratégico para garantir financiamento, integração operacional e coerência normativa.
Segundo os organizadores, a contribuição de especialistas e de órgãos de segurança deve ajudar a traduzir o diagnóstico em ações concretas no curto, médio e longo prazos, preservando a segurança de fronteiras e a integridade territorial. Em declaração à Câmara dos Deputados, o deputado Coronel Assis enfatizou a importância do diálogo interinstitucional: “A audiência pública busca promover o diálogo entre representantes do Poder Público, especialistas e parlamentares, visando assegurar que os encaminhamentos resultantes do congresso possam subsidiar iniciativas legislativas e ações coordenadas em nível nacional, em benefício da segurança pública e da integridade territorial do Brasil”.
Com a segurança de fronteiras no centro das atenções, a reunião desta terça-feira tende a pavimentar um roteiro de cooperação entre as Assembleias Legislativas e a União, fortalecendo a capacidade do Estado brasileiro de prevenir, detectar e reprimir crimes transnacionais, ao mesmo tempo em que promove políticas que reduzam vulnerabilidades sociais nas áreas fronteiriças.


