Comissão da Câmara aprova Plano Nacional de Segurança de Fronteiras, reserva 30% do FNSP e fortalece combate a contrabando e narcotráfico

Comissão aprova criação de plano para reforçar segurança em fronteiras - Notícias

Plano Nacional de Segurança de Fronteiras prevê 30% do Fundo Nacional de Segurança Pública para ações na faixa de fronteira e articulação entre Forças Armadas, Receita e órgãos de segurança

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou a criação do Plano Nacional de Segurança de Fronteiras (PNSF), iniciativa que busca dar caráter permanente, com financiamento estável, às ações de fiscalização e repressão a crimes na faixa de fronteira do Brasil. O texto aprovado, um substitutivo do relator deputado José Rocha (União-BA) ao Projeto de Lei 3517/23, de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS), destina 30% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) para o fortalecimento do combate ao narcotráfico e ao contrabando, entre outros delitos transfronteiriços.

De acordo com o relator, a proposta eleva a proteção das fronteiras do patamar de programas regulados por decreto para o de política de Estado, garantindo continuidade e previsibilidade. Nas palavras de José Rocha, citadas no relatório, “Incluir a proteção de fronteiras na legislação ordinária confere estabilidade normativa à matéria, como é próprio das políticas de Estado, que demandam financiamento contínuo”.

O substitutivo amplia o alcance do texto original e detalha mecanismos de coordenação entre diferentes esferas de governo e instituições estratégicas. A atuação integrada passa a ser eixo central do Plano Nacional de Segurança de Fronteiras, com papéis distribuídos a órgãos federais, estaduais e municipais.

O que muda com o Plano Nacional de Segurança de Fronteiras

Entre os pontos principais está a reserva de 30% do FNSP para ações especificamente voltadas à faixa de fronteira, medida que busca corrigir gargalos financeiros recorrentes e assegurar operações contínuas. Esses recursos devem apoiar o reforço de efetivos, a aquisição de tecnologias, a melhoria de infraestrutura e a realização de operações combinadas de fiscalização.

O projeto aprovado também inclui o Ministério da Agricultura e Pecuária no rol de órgãos gestores do PNSF, reconhecendo a necessidade de proteger a defesa agropecuária contra a entrada de produtos ilegais e pragas no país. Ao integrar o agronegócio ao desenho da segurança de fronteiras, a proposta conecta saúde animal e vegetal, competitividade econômica e proteção sanitária com a atuação policial e aduaneira.

Na prática, o Plano Nacional de Segurança de Fronteiras pretende reforçar o enfrentamento a crimes como narcotráfico, contrabando e demais ilícitos transnacionais, que exploram áreas de difícil acesso e demandas complexas de fiscalização. Com normas em lei, espera-se dar estabilidade normativa e previsibilidade orçamentária às operações, evitando descontinuidades.

Coordenação entre forças e criação de gabinetes integrados

Para viabilizar a atuação articulada, o texto estabelece a criação de Gabinetes de Gestão Integrada de Fronteira, fóruns locais e regionais que reúnem representantes da segurança pública, da Receita Federal e das Forças Armadas, entre outros. Esses gabinetes devem aprimorar o compartilhamento de informações, a definição conjunta de prioridades e a execução sincronizada de operações.

Além disso, será instituído um Centro de Operações Conjuntas, sediado no Ministério da Defesa, com a missão de coordenar ações e consolidar inteligência estratégica sobre a faixa de fronteira. A presença de Defesa, Receita e forças policiais no mesmo arranjo decisório pretende acelerar respostas, reduzir sobreposições e fechar brechas operacionais exploradas por organizações criminosas.

Segundo o relator, a integração institucional é condição para o sucesso do Plano Nacional de Segurança de Fronteiras, já que a dinâmica dos crimes transnacionais exige cooperação, interoperabilidade de sistemas e continuidade de investimentos, agora amparados pela alocação específica de recursos do FNSP.

Próximas etapas, tramitação e quando pode virar lei

Após a aprovação na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, a proposta segue para análise, em caráter conclusivo, nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovada nessas instâncias, poderá avançar ao Plenário, de onde, se mantido o teor, seguirá ao Senado Federal. Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

O andamento confirma que o Plano Nacional de Segurança de Fronteiras é visto como instrumento-chave para consolidar a política de Estado na proteção da faixa de fronteira, com base legal e financiamento contínuo. A expectativa é que, com a reserva de 30% do Fundo Nacional de Segurança Pública e a institucionalização de estruturas integradas, as ações contra narcotráfico, contrabando e a entrada de produtos ilegais ganhem escala e regularidade.

Enquanto o projeto de lei segue em análise na Câmara dos Deputados, gestores públicos, forças de segurança, Receita Federal, Forças Armadas e o setor agropecuário observam os próximos passos. A consolidação do PNSF pode representar um salto de qualidade na governança da segurança de fronteiras, alinhando estratégia, orçamento e execução, com foco em resultados sustentáveis para a proteção do território e da economia brasileira.

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