Transferência de armas entre CACs na PF: deputados e atiradores cobram solução imediata, e novo portal com IA no Sinarm promete reduzir 80% do trabalho manual

Deputados e associações de atiradores cobram da Polícia Federal solução para transferência de armas - Notícias

Em audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara, críticas apontam paralisação após migração do SisGCorp do Exército para o Sinarm da Polícia Federal, enquanto a PF afirma que a transferência de armas segue ativa e prepara portal automatizado

A pressão por uma solução para a transferência de armas entre cidadãos, sobretudo CACs, cresceu em Brasília após uma audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados. Parlamentares e representantes do setor criticaram o que chamam de paralisação do serviço desde que o controle de acervos saiu do Exército, que operava pelo SisGCorp, e foi incorporado ao Sinarm, sistema da Polícia Federal. A PF, por sua vez, nega interrupção, diz que os processos estão ativos e anunciou um novo portal automatizado para acelerar os trâmites.

O debate, realizado nesta terça-feira, 5, refletiu a preocupação de clubes de tiro, lojistas e atiradores esportivos com a segurança jurídica e o impacto econômico do setor. No centro da discussão, a transferência de armas entre particulares, essencial para negócios lícitos e atualização de acervos, teria sofrido com erros operacionais e falta de integração plena entre sistemas.

Da migração do Exército ao Sinarm: por que a transferência de armas travou

Segundo os organizadores da audiência, a transição regulatória apagou, na prática, o fluxo que existia no Exército sem que o novo processo estivesse plenamente disponível no Sinarm. O deputado Rodrigo da Zaeli afirmou que o “vácuo” afetou transações legítimas e gerou perdas a proprietários.

Em sua fala, o parlamentar registrou, de forma literal, a crítica central do setor: “Houve a suspensão do serviço sem que fosse implementado um sistema substituto dentro do Sinarm, o que gerou paralisação de negócios jurídicos lícitos, desvalorização patrimonial dos acervos e insegurança jurídica”. Para ele, restabelecer plenamente a transferência de armas com previsibilidade e prazos claros é condição para recuperar a confiança dos usuários.

Representantes dos CACs reforçaram relatos de demora e inconsistências. O presidente da Associação Nacional de Atiradores (Anacac), José Luiz de Sanctes, destacou que os problemas não se limitam a um estado ou superintendência. Segundo ele, “Há reclamações em outros estados referentes à transferência de armas de CAC para CAC. Esperamos que esse novo sistema funcione a contento para atender a demanda”.

O que diz a Polícia Federal: e-mail, Sinarm e portal com inteligência artificial

O coordenador-geral de Controle de Armas de Fogo da Polícia Federal, Wellington Clay, rejeitou a ideia de interrupção total. Ele explicou que, enquanto o novo fluxo digital era estruturado, a PF adotou o atendimento por e-mail para registrar a passagem de propriedade, garantindo a continuidade mínima do serviço. Em suas palavras, “As transferências devem estar correndo normalmente, conforme publicado no site da Polícia Federal. Muitas vezes, o atraso é por uma interpretação equivocada do policial da ponta, o que é facilmente corrigido por nós no órgão central”.

Para acelerar de vez a transferência de armas, Clay anunciou um novo portal integrado ao Sinarm, com uso de inteligência artificial para análise documental. Segundo o delegado, a automação deve reduzir gargalos e padronizar decisões, permitindo maior previsibilidade. Ele afirmou: “Desenvolvemos um novo sistema com atestados e análise documental por IA, reduzindo o trabalho manual em cerca de 80%. O primeiro Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) de teste foi emitido no sábado (2), por mim”.

Se confirmada essa redução de 80% do trabalho manual, a tendência é encurtar prazos e diminuir a heterogeneidade de entendimentos na “ponta”, problema apontado por usuários. A PF também informou que a renovação dos Certificados de Registro de Arma de Fogo, que vencem em julho de 2026, será feita de forma escalonada pelo mês de aniversário do portador, uma estratégia para evitar acúmulo de pedidos.

Impacto econômico, segurança jurídica e próximos passos

Para o setor de tiro esportivo e comércio especializado, a eficiência na transferência de armas é mais do que burocracia, trata-se de um elo central da atividade econômica. O deputado Capitão Alden chamou atenção para os efeitos práticos do travamento operacional, citando fechamento de clubes e perda de empregos. Ele avaliou: “O setor tem sofrido perdas, não só com o fechamento de clubes e empresas, mas também com empregos que deixam de ser gerados”, e complementou, “Merecemos um sistema que funcione e dê garantia jurídica para exercer a atividade.”

Na avaliação de entidades, um fluxo claro e previsível no Sinarm reduz riscos e valoriza o acervo dos proprietários, além de coibir interpretações díspares em diferentes unidades da federação. A promessa de um portal com checagens automatizadas, emissão digital de documentos como o CRAF e integração com bases oficiais é vista como passo decisivo para restaurar a confiança.

Até que a nova plataforma esteja totalmente operacional, a orientação aos usuários é acompanhar as comunicações oficiais da Polícia Federal, manter a documentação atualizada e, quando necessário, registrar solicitações pelos canais indicados, inclusive por e-mail, como descreveu a própria PF. A expectativa do setor é que o piloto avance rapidamente para produção, com publicação de prazos e guias detalhados sobre a transferência de armas entre CACs.

No horizonte próximo, a combinação de automação, padronização e escalonamento de demandas pode destravar a fila, reduzir a litigiosidade e devolver previsibilidade aos negócios jurídicos. Se as melhorias prometidas se confirmarem, o novo Sinarm tende a virar a página da transição, recolocando a transferência de armas em uma rotina mais rápida, segura e, sobretudo, com garantia jurídica para quem depende do serviço para trabalhar e praticar o esporte.

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